Morales irá a Haia para leitura de decisão judicial por território marítimo

O presidente da Bolívia Evo Morales em 28 de agosto de 2018 em um ato na cidade de Santa Cruz

O presidente da Bolívia, Evo Morales, vai encabeçar a delegação de seu país na leitura da decisão do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) em Haia no processo contra o Chile por um diálogo para resolver seu fechamento marítimo.

O tribunal internacional estabeleceu para 1º de outubro a leitura da sentença sobre o pedido boliviano para abrir negociações por um acesso soberano ao mar "em boa-fé" com seu vizinho Chile.

"Queremos dizer ao país que, com base na análise realizada no dia 24 (deste mês) na reunião da equipe jurídica, definiu-se que o presidente Evo acompanhará em Haia a leitura da decisão", disse o chanceler boliviano, Diego Pary, citado na conta oficial no Twitter do Ministério das Relações Exteriores.

Pary está em Nova York acompanhando Morales na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O chanceler boliviano informou ainda que "convidou (..) para acompanhar a leitura do acórdão" os ex-presidentes Carlos Mesa, Jorge Quiroga, Jaime Paz Zamora e Guido Vildoso.

Paz Zamora (1989-1993) anunciou que não irá a Haia porque Morales "não respeita" um referendo popular de 2016 que rejeitou seu desejo de concorrer a um quarto mandato consecutivo (2020-2025).

Nesse contexto, o presidente chileno, Sebastián Piñera, se reuniu nesta terça com ex-presidentes e líderes políticos para dialogar sobre os possíveis cenários da sentença, sem descartar uma "solução intermediária" que leve a uma negociação.

Piñera se reuniu com os ex-presidentes Ricardo Lagos e Eduardo Frei, e depois recebeu congressistas e líderes políticos, com os quais analisou três possíveis cenários.

O presidente manifestou que existe a possibilidade de o TIJ "negar ou aceitar de cara o pedido boliviano", ou que surja uma terceira "solução intermediária", na qual o tribunal "convida as partes a negociar de boa-fé, e isso pode acontecer sem um resultado pré-determinado ou com um resultado pré-determinado".

"Esperamos com tranquilidade a sentença (...) Acho que tudo indica que não haverá surpresas, que a situação do Chile é sólida", manifestou o ex-presidente Lagos.

Enquanto isso, Frei sustentou que "o que nós pedimos a esta altura é muito simples: que a sentença se atenha aos tratados internacionais".

Nos encontros foi acordada uma coordenação rápida pra ter uma "reação unitária" assim que se saiba a sentença, dando tranquilidade à população, segundo manifestou Heraldo Muñoz, ex-chanceler do governo de Michelle Bachelet.