Movimento negro denuncia à ONU políticas do governo brasileiro

Alma Preta
O grupo deve formalizar denúncias contra o pacote de segurança pública do Ministro da Justiça, Sérgio Moro (Foto: Reprodução)
O grupo deve formalizar denúncias contra o pacote de segurança pública do Ministro da Justiça, Sérgio Moro (Foto: Reprodução)

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges |

Integrantes da Coalizão Negra Por Direitos participam nesta semana em Genebra, na Suíça, de encontros com membros do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Um dos objetivos é denunciar políticas do governo brasileiro que apresentam riscos à população negra no Brasil.

A organização antirracista é composta por 60 entidades da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos da comunidade negra.

O grupo deve formalizar denúncias contra o pacote de segurança pública do Ministro da Justiça, Sérgio Moro, os decretos armamentistas do presidente Jair Bolsonaro, e a entrega da Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, para a exploração dos Estados Unidos.

Outros temas como o racismo religioso a crenças de matriz africana, as violações de direitos dos pescadores da Bahia de Todos os Santos, em Salvador, o desmonte de políticas educacionais e o corte de orçamento do Censo 2020 também fazem parte da lista de denúncias dos ativistas.

Segundo Douglas Belchior, membro da Uneafro Brasil e da Coalizão Negra Por Direitos, a expectativa é de que as queixas de violações de direitos sejam aceitas.

“Esperamos que a ONU se manifeste para chamar atenção do Estado brasileiro sobre os direitos humanos e a situação do povo negro”, explica.

Agenda

A agenda dos representantes brasileiros do movimento negro na 42ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas foi repleta de compromissos na quarta e na quinta-feira, 18 e 19 de setembro.

Na manhã de quarta-feira, o grupo acompanhou plenárias com representantes da sociedade civil e participou de reuniões com grupos especiais dedicados à perseguição religiosa e homicídios. Na parte da tarde, a reunião foi com a coordenação do Grupo de Trabalho de Pessoas de Descendência Africana da ONU.

Já na manhã de quinta-feira o grupo se reuniu com Nathalie Prouvez, chefe da Seção Democracia e Estado de Direito do Alto Comissariado da ONU. De tarde, o diálogo foi com Todd Howland, responsável pelas questões econômicas e sociais da organização. Em seguida, os representantes brasileiros participaram de reuniões com a Seção Américas, do Alto Comissariado, e com representantes da União Europeia.

De acordo com Douglas Belchior, a série de reuniões faz parte do processo de conhecimento do sistema de acolhimento e denúncias da ONU.

“É um exercício que estamos fazendo para entender os mecanismos da organização. Vamos voltar para o Brasil com a mala cheia de tarefas para cumprir na defesa da população negra”, relata.

Os compromissos da Coalizão Negra Por Direitos em Genebra, na Suíça, continuam no decorrer desta sexta-feira, 20 de setembro.