Moro cita temor de fuga e determina que Dirceu use tornozeleira e entregue passaportes

José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, é escoltado por policial federal ao ser levado para depor em Comissão Parlamentar de Inquérito, em Curitiba, no Brasil 31/08/2015 REUTERS/Rodolfo Buhrer

(Reuters) - O juiz federal Sérgio Moro determinou nesta quarta-feira que o ex-ministro José Dirceu seja monitorado por tornozeleira eletrônica, entregue os passaportes e não deixe a cidade de domicílio como parte das medidas cautelares impostas para substituir a prisão preventiva revogada na véspera por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em despacho, Moro afirmou que a vigilância eletrônica e o controle de deslocamentos são medidas necessárias mediante "receio de que, colocado em liberdade, venha a furtar-se da aplicação da lei penal", uma vez que já foi condenado a mais de 30 anos de prisão em duas ações separadas da operação Lava Jato.

"Embora tais medidas não previnam totalmente eventual fuga, pelo menos a dificultam", disse o juiz.

Dirceu também ficará proibido de se comunicar por qualquer meio com outros acusados ou testemunhas de ações penais a que responde, e terá de fazer solicitação à Justiça caso queira fixar residência em outra cidade que não Vinhedo (SP), que foi declarada no processo.

Ex-ministro da Casa Civil do governo Lula e ex-presidente do PT, Dirceu teve a prisão preventiva revogada por decisão da maioria dos ministros da 2ª Turma do STF na terça-feira. Ele fora detido em agosto de 2015, durante a 17ª fase da Lava Jato. [nL1N1I4263]

Também na terça-feira, o Ministério Público Federal denunciou Dirceu pela terceira vez na operação Lava Jato, por recebimento de propina de mais de 2,4 milhões de reais, que foram utilizados em parte para a assessoria de comunicação do petista durante o julgamento do mensalão, em que também foi condenado.[nL1N1I40L2]

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)