Moro contradiz Bolsonaro e diz que ameaças não têm a ver com liberdade de expressão

Ex-ministro se posicionou nas redes sociais. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro se manifestou no Twitter sobre a investigação que apura fake news e ameaças contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (28). De acordo com ele, “campanhas difamatórias contra adversários, ameaças e notícias falsas não têm a ver com liberdade de expressão”.

Em seu post, ele afirmou que esse é “um debate que não pode tirar o foco do que importa agora: defender o estado de direito e a vida”. Por fim, ele mencionou as pessoas que morreram em decorrência do coronavírus. “Meu respeito à democracia, ao Judiciário e às famílias de vítimas da Covid”.

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O posicionamento de Moro é contrário ao dado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (27). Ontem, o presidente criticou a investigação em seu Twitter e afirmou haver sinais de que “algo muito grave está acontecendo com a nossa democracia”.

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Bolsonaro afirmou que “ver cidadão de bem terem seus lares invadidos, por exercerem seu direito à liberdade de expressão, é um sinal que algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia”.

Nesta quinta-feira (28), o presidente mostrou indignação novamente ao ser questionado sobre a operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão contra aliados. Em frente ao Palácio da Alvorada, ao falar com apoiadores, afirmou que “as coisas têm limite”.

“Ontem foi o último dia e eu peço a Deus que ilumina as pessoas que ousam se julgar melhor e mais poderosas que os outros, que se coloquem no seu devido lugar”, disse o presidente. “E dizemos mais: não podemos falar em democracia sem um judiciário independente, um legislativo também independente para que possam tomar decisões. Não monocraticamente por vezes, mas questões que interessam ao povo como um todo, que tomem de modo que seja ouvido o colegiado.”

No fim, o presidente subiu o tom: “Acabou, porra”, gritou. Bolsonaro pediu desculpas por ter desabafado e afirmou que não dava para ver atitudes “individuais de certas pessoas, tomando de forma quase pessoal certas ações”. Segundo o presidente, ordens absurdas não se cumprem.