Diálogos indicam que Moro desaprovou apreensão de celular de Cunha

Ex-deputado federal Eduardo Cunha foi preso no dia 19 de outubro de 2016 - Foto: AP Photo/Denis Ferreira

Diálogos divulgados pelo BuzzFeed News, em parceria com o The Intercept Brasil, nesta segunda-feira (12), mostram o ex-juiz federal Sergio Moro (agora ministro da Justiça) orientando o procurador Deltan Dallagnol a não solicitar a apreensão do aparelho celular do ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ) um dia antes da prisão do ex-parlamentar.

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“Queríamos falar sobre apreensão dos celulares. Consideramos importante. Teríamos que pedir hoje”, escreveu Dallagnol. Moro respondeu que “não é uma boa” e, três horas depois o procurador responde afirmando que o Ministério Público havia mudado de ideia. “Cnversamos [Conversamos] aqui e entendemos que não é caso de pedir os celulares, pelos riscos, com base em suas ponderações”, escreveu o coordenador da Lava Jato.

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Conforme indicam as mensagens, os dois se encontraram brevemente para tratar do assunto. As ponderações de Moro foram levadas a outros procuradores que prontamente acataram a ordem do então juiz. O conselho de Moro destoa do padrão empregado pela Lava Jato com outros investigados.

Mensagens anteriormente reveladas mostram que Sérgio Moro agiu também para barrar a tentativa do Ministério Público de negociar uma delação premiada de Eduardo Cunha, que até o momento não aconteceu. Em mensagens enviadas em julho de 2017, ele questionou Dallagnol sobre rumores de delação e disse esperar que o MPF não procedesse com acordo. "Agradeço se me manter informado. Sou contra, como sabe", escreveu.

Em nota, Sergio Moro se pronunciou quanto ao vazamento dos diálogos. "O Ministro da Justiça e da Segurança Pública não reconhece a autenticidade das mensagens obtidas por meio criminoso, nem sequer vislumbrou seu nome como interlocutor nas mensagens enviadas pelo BuzzFeed. Em relação aos aparelhos celulares do ex-Deputado Eduardo Cunha, como foi amplamente divulgado pela imprensa, eles foram apreendidos por ordem do STF na Ação cautelar 4044, antes da prisão preventiva."

A força-tarefa da Lava Jato também se posicionou sobre o material divulgado. “A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba não reconhece as mensagens que têm sido atribuídas a seus integrantes nas últimas semanas. O material é oriundo de crime cibernético e tem sido usado, editado ou fora de contexto, para embasar acusações e distorções que não correspondem à realidade. A análise da busca e apreensão de itens toma em conta diferentes fatores, inclusive a perspectiva de efetividade para as investigações. No caso do ex-presidente da Câmara, seus celulares já tinham sido apreendidos por ordem do Supremo Tribunal Federal."

Diálogo registrado no dia 18 de outubro de 2016, um dia antes da prisão de Eduardo Cunha:

• 11:45:25 Deltan: Um assunto mais urgente é sobre a prisão

• 11:45:45 Deltan: Falaremos disso amanhã tarde

• 11:46:44 Deltan: Mas amanhã não é a prisão?

• 11:46:51 Deltan: Creio que PF está programando

• 11:46:59 Deltan: Queríamos falar sobre apreensão dos celulares

• 11:47:03 [Moro]: Parece que sim.

• 11:47:07 Deltan: Consideramos importante

• 11:47:13 Deltan: Teríamos que pedir hoje

• 11:47:15 [Moro:] Acho que não é uma boa

• 11:47:27 Deltan: Mas gostaríamos de explicar razões

• 11:47:56 Deltan: Há alguns outros assuntos, mas este é o mais urgente

• 11:48:02 [Moro]: bem eu fico aqui até 1230, depois volto às 1400.

• 11:48:49 Deltan: Ok. Tentarei ir antes de 12.30, mas confirmo em seguida de consigo sair até 12h para chegar até 12.15

• 12:05:02 Deltan: Indo

• 14:16:39 Deltan: Cnversamos [Conversamos] aqui e entendemos que não é caso de pedir os celulares, pelos riscos, com base em suas ponderações

• 14:21:29 [Moro]: Ok tb