Moro discreto, evento com apagões e desconfiança: os bastidores do lançamento da candidatura de Bivar

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

BRASÍLIA - Logo que acabou o evento de lançamento da sua pré-candidatura a presidente, na noite desta terça-feira, o deputado federal Luciano Bivar (UB-PE) reuniu os auxiliares e fez um balanço da solenidade de três horas:

– Foi bom para mostrarmos que vamos até o fim.

Eleições 2022: Lula diz que 'PSDB acabou', e 'PT continua forte'

Estratégia eleitoral: Bolsonaro e Lula resistem a ir a debates; veja lista de eventos já marcados

Leia mais: Aécio chama Lula de arrogante e desrespeitoso por dizer que 'PSDB acabou'

Alguns minutos antes, o presidente do União Brasil, que tem o maior tempo de TV e o maior caixa eleitoral, havia dito e reforçado à imprensa que a sua pré-candidatura estava "posta e definitiva".

Apesar da empolgação de Bivar, que diz estar cheio de energia, os sinais de ceticismo dos seus próprios correligionários ficaram visíveis no evento que ele organizou para se lançar candidato. O auditório estava cheio de militantes apoiadores de pré-candidatos a deputados distritais do União e o nome mais aclamado era justamente o de um deles (Eduardo Pedrosa) – e não o de Bivar. O dirigente do União chegou a entrar no auditório em meio a cantorias – "O Eduardo chegou" -- e teve o discurso interrompido pelos gritos das torcidas dos distritais.

Bivar disse que precisou acelerar o evento por causa de problemas na energia elétrica, que realmente caiu três vezes durante a confraternização. Quando as luzes e o microfone desligavam, a militância voltava a gritar o nome dos pré-candidatos a deputado distrital.

O palco estava preenchido com os principais figurões do partido nascido da fusão do DEM e do PSL, mas poucos deles discursaram como o secretário-geral do União, ACM Neto. O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia defendeu que era preciso respeitar a "independência de cada estado" e um "palanque aberto" no cenário nacional. A ideia é compartilhada pela maioria da sigla, que só aprovou por unanimidade a candidatura de Bivar porque ele teria se comprometido a não interferir nos acordos locais e deixar os dirigentes “livres” para apoiar quem quisessem em outubro -- parte dos postulantes já declararam, inclusive, que marcharão ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha.

A defesa da candidatura de Bivar ficou por conta dos aliados mais próximos, que tentaram pintá-lo como um "visionário" que previu a vitória de Jair Bolsonaro em 2018 ao abrigá-lo em seu ex-partido, o então nanico PSL.

– Não duvidem de Luciano Bivar. Nós não precisamos ter medo de perder. O nosso time está entrando em campo para ganhar – disse a senadora Soraya Tronickle (MS), cotada como vice, em meio a elogios ao trabalho de Bivar em prol das candidatas da legenda.

Ela era a única mulher entre os dezesseis políticos homens que tiveram assento de destaque no palco.

Moro discreto

O evento partidário foi realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília – o mesmo no qual o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro foi lançado a presidente pelo Podemos em novembro de 2021. Agora filiado ao União Brasil, Moro compareceu com status de estrela para a militância do partido que tirou selfies, mas no meio político circulou de forma mais discreta.

Sentado próximo a Moro, estava o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (UB), que já foi preso cinco vezes por acusações de improbidade e compra de votos. Pulando algumas cadeiras à direita, estava o ex-senador Agripino Maia (União-RN), alvo da Operação Lava-Jato, em 2017. Quando ainda era juiz, Moro conduziu os processos do petrolão na primeira instância da Justiça Federal em Curitiba, no Paraná.

Além dos investigados, o ex-ministro da Justiça também esbarrou com um possível concorrente do União em São Paulo, o vereador e presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, que tem ensaiado uma candidatura ao Senado pelo estado – o mesmo posto que ele almeja disputar. Ele também é cotado ao governo do estado, o que romperia a aliança com o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), e a uma vaga a deputado federal que também deve ser disputada por sua mulher, Rosângela Moro.

Faltando cinco meses para a eleição, o ex-ministro chegou e saiu do evento ainda indeciso sobre qual posto irá pleitear neste ano.

– É uma decisão que eu não tomei e vou tomar mais adiante. Qualquer forma de contribuir para o país é válida (...) Eu não vejo o fato de ser lembrado para várias posições como algo negativo – afirmou.

Como positivo, ele afirmou que "toda candidatura de centro servirá como uma trincheira e barreira contra o radicalismo". Ele também não discursou no evento.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos