Moro diz não ver motivo para postergar prisão em 2ª instância: 'quanto antes, melhor'

Gustavo Maia

BRASÍLIA - O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou nesta quarta-feira que não vê motivos para postergar a aprovação de propostas no Congresso para restabelecer a prisão após condenação em segunda instância, em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Para ele, o projeto de lei em tramitação no colegiado, que altera o Código de Processo Penal (PCC) e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que está na Câmara dos Deputados não são "mutuamente excludentes". Moro defendeu que a questão é urgente no âmbito da segurança pública, argumentando que "quanto antes, melhor".

Na semana passada, o ministro participou de reunião de líderes da Câmara e do Senado, com a presença dos presidentes das duas Casas, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na ocasião, os parlamentares chegaram a acordo para priorizar a PEC 199/2019, que tramita na Câmara. Desta forma, uma possível aprovação só deve ocorrer em 2020. Além do rito mais demorado, a proposta enfrenta mais resistência de deputados.

Um grupo de defensores da prisão em segunda instância, no entanto, rejeita o entendimento, argumentando que não representa a maioria dos liderados, e pressiona a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS) a colocar o projeto em votação. Eles dizem ter coletado pelo menos 45 assinaturas de senadores em um manifesto para cobrar a iniciativa, que deve ser entregue a ela ainda nesta quarta.

- Se tem uma maioria dentro do Congresso para aprovar essa medida, não vejo lá muito sentido para postergação - declarou Moro, em suas considerações iniciais na audiência, convocada a pedido do senador Humberto Costa (PT-PE).O ministro da Justiça disse que, "francamente", pensa que os dois caminhos são válidos e possíveis, e que acha que essa é também a sinalização igualmente do Superior Tribunal Federal (STF).

- Não vejo as duas iniciativas como mutuamente excludentes - afirmou Moro.Ele comentou ainda que não falava apenas dos casos de corrupção, e não citou nenhum dos possíveis afetados pela mudança. O ministro mencionou que até condenados por homicídio ou um "traficante perigoso do Rio de Janeiro" foram colocados em liberdade dias depois da decisão do STF, no mês passado, que reverteu o entendimento da Corte sobre o tema. Mas acrescentou:

- Sem falar dos casos também envolvendo crimes de corrupção, que geram uma sensação de impunidade, de abandono, de insegurança - apontou.