Moro reconhece dificuldade de apurar quebra de sigilos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em entrevista à "BBC Brasil", o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância judicial, em Curitiba, disse que apurar vazamentos de informações da operação "é quase como se fosse uma caça a fantasmas".

Segundo ele, a investigação sobre vazamentos de depoimentos sigilosos à imprensa esbarra em "questões jurídicas", como os direitos constitucionais ao sigilo de fontes de jornalistas e a liberdade de imprensa.

"Então, infelizmente, há uma dificuldade de descoberta desses fatos. Não que nós não tenhamos mecanismos de investigação, mas que a utilização deles fica comprometida por conta dessas proteções jurídicas. E eu não estou reclamando destas proteções jurídicas, acho importante".

Questionado sobre o recuo no caso do blogueiro Eduardo Guimarães -o juiz mandou retirar de inquérito a fonte de informação sigilosa enviada ao jornalista-, afirmou que "é difícil" definir o que é um jornalista profissional. "Existe a posição no Brasil de que não é necessário um diploma, mas o fato de você ter uma página na internet qualifica alguém como jornalista?".

Em 2016, Guimarães publicou em seu blog que a Justiça havia pedido a quebra do sigilo fiscal de Lula e antecipou que o ex-presidente seria alvo de operação da Polícia Federal. Guimarães foi alvo de condução coercitiva, em março.

O juiz também falou sobre fotos em que aparece conversando com o senador Aécio Neves (PSDB), investigado pela Lava Jato. Moro afirmou que o registro foi feito em um evento público: "O que há é uma exploração política do episódio, mas não existe nenhum comportamento impróprio da minha parte".

"Não tenho nenhum processo do senador na minha responsabilidade porque ele tem foro privilegiado e não foi tratado sobre assuntos relativos ao processo, evidentemente", disse Moro.

Ele reafirmou não ter nenhuma pretensão de seguir carreira política.