Moro repete discurso lava-jatista na Paraíba e diz que vaias foram pagas

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·4 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 25.11.2021 - O ex-ministro Sergio Moro (Justiça). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 25.11.2021 - O ex-ministro Sergio Moro (Justiça). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - O ex-ministro Sergio Moro investiu no discurso lava-jatista durante o segundo dia de visita à Paraíba. O pré-candidato do Podemos à Presidência cumpre agendas na região metropolitana de João Pessoa nesta sexta-feira (0).

Durante entrevista a uma rádio local, Moro criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) pelas decisões que anularam as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito da Operação Lava Jato. Além disso, o ex-juiz negou que tenha sido parcial contra o petista nos julgamentos.

"Infelizmente, alguns tribunais, inclusive o STF, parte dele, têm anulado condenações, não dizendo, porque eles não conseguem, que as pessoas são inocentes, mas dizendo que não podiam ter sido julgados em Curitiba e que o juiz tinha animosidade em relação ao acusado. Fiz meu trabalho aplicando a lei", afirmou.

"A anulação da condenação do ex-presidente Lula foi um baita erro Judiciário", disse.

Apesar das críticas às decisões, Moro disse que respeita o STF como instituição e teceu elogios ao presidente da corte, ministro Luiz Fux, de quem é próximo.

"Tenho grande respeito pelo STF como instituição. O presidente do Supremo é uma grande personalidade e tem um sério compromisso no combate à corrupção."

Na entrevista, o ex-juiz também defendeu a criação de uma corte específica para julgar casos de corrupção no Brasil com juízes específicos para atuar junto a esse tipo de caso. Em paralelo, Moro reafirmou a defesa do fim do foro privilegiado para políticos.

"Com o fim do foro privilegiado, um governante que fizer algo errado vai ser julgado igual a outra pessoa. Também defendo a criação de uma corte nacional anticorrupção. Vamos criar um tribunal específico usando juízes selecionados com vocação e passado ilibado para romper essa tradição de impunidade com a corrupção", disse.

O ex-magistrado afirmou que quem coordenará o grupo de juristas para elaborar suas propostas de Reforma do Judiciário é o professor de direito constitucional Joaquim Falcão, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras).

Outra promessa de Sergio Moro é o fim da reeleição para cargos de executivo. Ele disse que o veto à medida deve ser implantado no Brasil em 2023, primeiro ano do mandato de quem for eleito em outubro.

Moro chegou à Paraíba na quinta-feira (6). No Aeroporto de João Pessoa, onde desembarcou, ele foi xingado por um grupo de pessoas que gritava as expressões "traíra" e "juiz ladrão".

Em entrevista a uma rádio de Pernambuco nesta quinta, Moro foi questionado sobre as manifestações contra ele e levantou a possibilidade de que essas pessoas tenham sido financiadas para xingá-lo na chegada à Paraíba.

"Nesse tempo de internet, pega lá duas pessoas que ainda provavelmente foram pagas e fazem lá uma gritaria. Cheguei lá no aeroporto e tinha uma multidão favorável, elogiando, pedindo para tirar foto. Onde estou indo as pessoas pedem para tirar foto, selfie, tem sido uma receptividade enorme".

Na quinta, em reunião com empresários, Sergio Moro disse que foi traído pelo presidente Jair Bolsonaro. A fala se deu durante um encontro em Campina Grande, segunda maior cidade paraibana.

Em entrevista nesta quinta-feira, o ex-juiz ainda declarou que tem orgulho de ter entrado e de ter saído do governo Bolsonaro.

Nesta sexta, Moro dedicou a manhã e o início da tarde a conceder entrevistas a emissoras de rádio locais. Além disso, tem reuniões com aliados políticos. Ele segue em João Pessoa até este sábado (8).

Na Paraíba, o principal articulador de Sergio Moro é o deputado federal Julian Lemos (PSL), ex-apoiador do presidente Jair Bolsonaro. No estado, o Podemos procura um palanque para Sergio Moro. Isso porque as principais forças políticas locais estão vinculadas a outros postulantes do Palácio do Planalto.

O governador João Azevêdo, mesmo sendo filiado ao Cidadania, flerta com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e poderá voltar ao PSB. O deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB), pré-candidato ao governo da Paraíba, apoia o governador de São Paulo, João Doria, na disputa pela Presidência.

Sergio Moro ainda deverá fazer visitas a Ceará e Sergipe nos próximos meses. No Ceará, a principal figura do Podemos é o senador Eduardo Girão, eleito na onda bolsonarista de 2018 e um dos principais defensores do governo na CPI da Covid no Senado. Já em Sergipe, Moro deverá circular com o senador Alessandro Vieira, pré-candidato do Cidadania à Presidência.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos