Moro diz que deixou de usar Telegram por não confiar na 'origem russa'

Moro apontou como um dos motivos para deixar de usar o Telegram a origem russa do app. (Foto: Fátima Meira/Futura Press)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ministro disse ter deixado de usar o Telegram após notícias de invasões hackers em uma interferência russa nas eleições dos EUA, em 2017

  • Antes citou que, entre as mensagens, têm coisas que eventualmente ele possa ter dito, mas não reconhece a veracidade das mesmas

Em explicação ao senadores sobre as supostas conversas vazadas com procuradores da operação Lava Jato, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, alegou que deixou de utilizar o aplicativo de mensagens Telegram pela origem russa do app.

“Saí do Telegram em 2017, após das notícias de invasões de hackers nas eleições dos EUA. Não achei que esse aplicativo russo fosse de confiança”, argumentou Moro, ao dar detalhes da invasão que alega ter sofrido em seu aparelho celular.

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O ministro está, desde às 9h, sendo interpelado em audiência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, ao qual compareceu voluntariamente para prestar esclarecimentos sobre o vazamento de conversas entre ele e procuradores do MPF (Ministério Público Federal), em especial o chefe dos procuradores, Deltan Dallagnol.

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Segundo Moro, seu celular sofreu uma tentativa de invasão no dia 4 de junho deste ano. “Em 4 de junho, meu celular sofreu um ataque, por volta das 18h. Eu estava com ele em cima da mesa, e foram 3 ligações que recebi do meu número clonado. Pelo que eu vi, pelo que levantamos, não importa se a pessoa atende ou não o telefone (para que seja clonado). Depois dessas ligações, me perguntaram se eu entrei no Telegram. Então esse hacker clonou, me telefonou, e abriu uma conta no Telegram", detalhou o ex-juiz federal.

O ministro tratou a invasão como “parcial” ou mal-sucedida, uma vez que, segundo investigação da Polícia Federal, nenhum dado foi subtraído do aparelho.

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‘O ESCÂNDALO ENCOLHEU’

Por duas vezes, Moro citou “o incrível escândalo que encolheu”, em referência ao título de um artigo que analisa o episódio dos vazamentos. “Volto a citar aqui o ‘escândalo que encolheu’ e dizer que concordo com esse título. Não se vislumbra, apesar do sensacionalismo feito pelo referido site, a gravidade dos fatos divulgados”, afirmou o ex-juiz federal.

O ministro tem reforçado o que chamou de “sensacionalismo” envolvido na divulgação pelo site The Intercept Brasil das conversas vazadas atribuídas a ele e procuradores da operação Lava Jato.

ENVOLVIMENTO ESTRANGEIRO

“Pode ser que tenham envolvidos estrangeiros, não necessariamente qualquer espécie de poder estrangeiro (...). O que sabemos é que esse grupo criminoso não é um grupo de pessoas despreparadas. Me parece ser um grupo de pessoas que tem muito dinheiro. Pode ser estrangeiro. Todas as hipóteses estão abertas”, afirmou Moro, em resposta ao senador Marcos do Val (Cidadania-ES).

Em sua consideração inicial, Moro afirmou que nas conversas divulgadas existem mensagens que ‘posso ter dito’. “Ali têm coisas que eventualmente posso ter dito, outras que causam estranheza. Mesmo que tenha algo que seja verdadeiro, as mensagens podem ter sido parcial ou totalmente alteradas.

“VILANIA E BAIXEZA”

Antes, o ministro se disse surpreso pelo nível de “vilania e baixeza” dos responsáveis pela divulgação de conversas. “Fiquei surpreendido pelo nível de vilania ou baixeza dessas pessoas responsáveis pelos ataques. De tentar invadir telefones de procuradores, do ministro, e usar isso para minar os esforços anticorrupção que não foi uma conquista de grupo de procuradores ou do Judiciário. E sim da sociedade brasileira que foi mola propulsora desse movimento”.

No último vazamento, divulgado no fim da tarde desta terça-feira (18) pelo site The Intercept Brasil, Moro repreendeu o MPF (Ministério Público Federal) e foi contra a investigação que mirava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pois “melindra o apoio de alguém importante”. As mensagens foram trocadas entre 2015 e 2018 e apontam supostas interferências do ex-juiz nos processos de investigação da força-tarefa, incluindo os que levaram à condenação do ex-presidente Lula.

Moro afirmou ainda que não vê ilegalidade ou “desvio ético” nas conversas divulgadas. Antes, no entanto, o ministro fez questão de ressaltar que não reconhece as veracidade do conteúdo por não possuir mais as mensagens arquivadas em seu celular.

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“Eventualmente pode ter havido uma troca de mensagem, mas nada que não seria normal. Não estou dizendo que reconheço a autenticidade, não tenho como fazer isso. Nos textos que li, não vi qualquer espécie de infração. (...) Várias pessoas lendo essas mensagens não identificaram lícitos, ilegalidades ou qualquer espécie de desvio ético. Na tradição jurídica, não é incomum que juiz converse com advogado, promotor, policial. No caso criminal, é comum que o juiz receba policiais e procuradores e se converse sobre diligências requeridas e cumpridas. Isso é absolutamente normal (...). Várias pessoas se manifestaram em jornais destacando essa normalidade desse tipo de diálogo (...) Posso assegurar que na condução da Lava Jato, sempre agi conforme a lei. Aplicar a lei nos casos de corrupção com criminosos poderosos, não foi algo fácil”, afirmou Moro.

Essa é a primeira vez que Sergio Moro vai ao Congresso Nacional para falar sobre o assunto. Na semana passada, o ministro participou, no Senado, de um almoço com parlamentares no Bloco Parlamentar Vanguarda – DEM, PSC e PL - mas não falou com os jornalistas.