Moro tem saldo positivo em audiência no Senado e deve manter estratégia sobre vazamentos

Grasielle Castro

No centro de um escândalo sobre sua atuação como juiz na condução da Operação Lava Jato, o ministro da Justiça,Sérgio Moro, articula como seguirá os próximos dias com a iminente ameaça de vazamento de mais diálogos que possam lhe atingir.

A expectativa é que pequenos ajustes sejam feitos, mas que o discurso do ministro siga na linha adotada nos últimos dias. Isso porque, em depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal nesta quarta-feira (19), Moro confirmou a eficácia da estratégia.

A tática se sustenta em quatro pilares: afirmar que há uma conspiração para acabar com a Lava Jato, ressaltar que foi vítima de hackers criminosos, não negar com veemência o conteúdo vazado e naturalizar os diálogos.

O ministro trata como normal a troca de mensagens atribuída a ele e ao procurador Deltan Dallagnol que sugere uma possível interferência do então juiz nas investigações da operação. Questionado na CCJ, Moro disse estar “absolutamente tranquilo”. 

“Eu não tenho nenhum apego pelo cargo em si. Apresente tudo. Vamos submeter isso, então, ao escrutínio público. E, se houver ali irregularidade da minha parte, eu saio. Mas não houve. Por quê? Porque eu sempre agi com base na lei e de maneira imparcial”, disse.

O ministro, no entanto, se mostrou irritado e teve dificuldade em responder questões nos momentos em que foi mais pressionado. A reação animou deputados da oposição que passaram pelo Senado para acompanhar a sessão. Há uma articulação para convidar Moro a depor também na Câmara.

“O ministro diz que não há nada de anormal, mas reconhece a conversa. Ele fere a Constituição Federal, o Código de Processo Penal e o Código de Ética da Magistratura. O caminho seguinte é uma CPI para investigar o conteúdo e o conluio entre o juiz e o Ministério Público”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). 

Na Câmara, poderia haver maior pressão sobre o ministro. Um dos motivos que...

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