Morre aos 100 anos George Shultz, secretário dos EUA que ajudou a encerrar a Guerra Fria

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - George Shultz, secretário de Estado do presidente Ronald Reagan e grande arquiteto da diplomacia americana no final da Guerra Fria, morreu no sábado (6) aos 100 anos. A morte foi anunciada pelo Hoover Institute, neste domingo (7). "Um dos mais importantes estrategistas políticos de todos os tempos, que serviu a três presidentes americanos, George P. Shultz faleceu em 6 de fevereiro aos 100 anos", informou a instituição vinculada à Universidade de Stanford em um comunicado publicado em seu site. Um homem de ampla experiência e talento, Shultz alcançou sucesso em estadismo, negócios e na academia. Na Casa Branca presidida por Ronald Reagan, famosa por suas disputas internas, Shultz era uma das personalidades menos controversas. Ele cultivou vínculos cordiais com o Congresso e a imprensa e, de forma mais crucial, contou com o sólido apoio do próprio presidente, que o manteve como chefe da diplomacia por seis anos e meio. Seus esforços como principal diplomata dos Estados Unidos de 1982 a 1989 sob o governo republicano de Reagan ajudaram a encerrar a Guerra Fria. Como secretário de Estado, as políticas de Shultz no Oriente Médio foram mais moderadas. Ele entrou em choque reiteradas vezes com o aliado israelense, especialmente sobre o Líbano, e abriu contatos com a Organização para a Libertação da Palestina. Ele alcançou a rara façanha de ocupar quatro cargos de gabinete, atuando também como secretário do Tesouro, como secretário do Trabalho e como diretor do Escritório de Gestão e Orçamento. Shultz permaneceu ativo até seus 90 anos, ocupando cargo no Hoover Institution da Universidade de Stanford e cadeiras em vários conselhos. Ele também escreveu livros e se posicionou contra o embargo cubano, as mudanças climáticas e a saída da Grã-Bretanha da União Europeia. Seu livro mais recente, "A Hinge of History", escrito com James Timbie, um conselheiro de longa data do Departamento de Estado e publicado em novembro de 2020, sugeria que o mundo estava em um ponto crucial não muito diferente daquele que enfrentou no final da Segunda Guerra Mundial.