Morre, aos 78 anos, o jornalista Mário Dias, conhecido pela cobertura policial e a paixão pelo samba

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Prestes a completar seis décadas dedicadas à profissão, o jornalista, produtor, radialista e escritor Mário Dias morreu no início da tarde desta quarta-feira, aos 78 anos, na Casa de Saúde Santa Martha, em Niterói, depois de não resistir a uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino. Natural de São Gonçalo, Mário Dias se firmou na profissão na antiga capital fluminense, onde atuou em diferentes veículos, como "A Tribuna", "Jornal de Icaraí", que ajudou a fundar junto com Jourdan Amora, e "O Fluminense", nesse último responsável por uma sessão dedicada a cobrir o dia a dia das comunidades mais carentes da cidade.

Foi no jornal "O Dia" que ele viveu seu maior momento na imprensa, primeiro na sucursal que o popular diário carioca mantinha em Niterói. Era o principal repórter de polícia da sucursal, dirigida por Ruy Santa Cruz e Abel Pereira. Em seguida, trabalhou na velha sede da Rua do Riachuelo e cobriu casos importantíssimos do noticiário policial, a maioria reunidos no seu livro "Malditos repórteres de polícia".

Sua extensa carreira é marcada pela versatilidade: trabalhou também na redação do jornal "Luta Democrática" e foi produtor na TV Globo e na extinta TV Manchete, além de apresentar, produzir e dirigir por mais de 10 anos o programa de TV "Casa da Gente", exibido em TVs regionais da cidade de Niterói e na web. Por 18 anos, esteve à frente da assessoria de comunicação da Prefeitura de Niterói, durante as gestões dos prefeitos Jorge Roberto Silveira (três mandatos), João Sampaio e Godofredo Pinto.

A vertente literária também é um dos pontos altos de sua carreira: é autor de "Malditos Repórteres de Polícia" e "CTI - Antessala da Morte". Por conta de sua vasta experiência como jornalista investigativo e repórter policial, foi convidado a fazer parte da coletânea "50 anos de crime", organizada pelo jornalista Fernando Molica, e mais recentemente da obra "Estranha Colheita", de Carlos Alberto Machado.

Foi protagonista de dois programas "Linha Direta", da TV Globo, ao narrar um dos casos mais emblemáticos de sua trajetória como repórter: "O mistério das máscaras de chumbo". Também já teve passagem pelo cinema, como personagem principal do premiado documentário "Efeito Casimiro", dirigido por Clarice Saliby.

Como produtor cultural, Mario Dias produziu e apresentou shows de grandes nomes do samba e da MPB, como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Alcione, Jovelina Pérola Negra, Dudu Nobre e Arlindo Cruz; entre outros. Nos anos 2000, foi também produtor e assessor de imprensa das duas edições da Micareta do Rio, realizadas no Autódromo e na Praia da Barra da Tijuca. Além disso, é um dos fundadores do Bloco das Piranhas, em Niterói, e liderou durante mais de 15 anos a Festa da Virada, no réveillon da Praia de Icaraí, além de ser o locutor oficial de diversas atividades culturais na cidade de Niterói.

O samba sempre foi uma de suas grandes paixões: era baluarte e membro da Acadêmicos do Cubango desde o ano de 1959, quando a escola foi fundada, sendo um dos componentes mais antigos ainda a desfilar na escola. Atualmente, integrava o Conselho Soberano da agremiação, e não há dúvidas de que seu coração é verde-e-branco. Ainda em Niterói, ele atuou como sambista, produtor e jornalista no "Carnaval da Cidade" e virou enredo do bloco "Segundo Clichê, formado por colegas jornalistas, e da escola de samba "Fora de Casa".

Por mais de 40 anos, Mário Dias participou da cobertura dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro como jornalista, acompanhando toda a evolução da festa, atuando no rádio, TV e jornal. Atualmente, era membro do Conselho Editorial do "Jornal Casa da Gente", fundado por ele.

Mário Dias tinha 78 anos, nasceu em 21 de agosto de 1942 e deixa três filhos, Soraia, Mario José e Luana, e dois netos, Matheus e Charlote.