Número de venezuelanos que emigram para o Brasil quintuplica, diz HRW

Washington, 18 abr (EFE).- A ONG Human Rights Watch (HRW) denuncia em um relatório divulgado nesta terça-feira que quintuplicou, desde 2014, o número de venezuelanos que emigram para o Brasil pela escassez de alimentos e remédios em seu país de origem, um exemplo de como "a crise humanitária" da Venezuela "ultraspassa suas fronteiras".

"O Brasil está tentando atender as necessidades urgentes dos venezuelanos que são vítimas de uma crise humanitária da qual o governo de Nicolás Maduro é o principal responsável", afirmou José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da HRW.

O governo venezuelano "nega que exista essa crise" e "não está dando uma resposta adequada", fazendo com que "dezenas de milhares" de venezuelanos emigrem, milhares deles ao Brasil, sobretudo os que não podem comprar uma passagem de avião e optam por atravessar a fronteira com o estado de Roraima, afirma o relatório.

O número de venezuelanos que chegaram ao Brasil com a intenção de se estabelecer quintuplicou desde 2014, chegando a 7.150 durante os primeiros 11 meses de 2016, segundo números oficiais destacados pela HRW em sua pesquisa de campo.

"Muitos venezuelanos vivem em condições precárias nas ruas e em um centro de amparo em Boa Vista, capital de Roraima", diz o estudo.

No entanto, os mais de 60 venezuelanos entrevistados pela HRW em fevereiro contaram que, "apesar das duras condições", nas quais vivem, estão "melhor no Brasil do que na Venezuela".

Alguns dos venezuelanos que chegaram ao Brasil tentam ser acolhidos como refugiados, outros buscam emprego temporário e também há um grupo que viaja para obter assistência médica de emergência.

"A migração sem precedentes de venezuelanos está colocando no limite de sua capacidade o sistema público de saúde de Roraima, que já estava saturado, e está deixando em colapso o sistema brasileiro de processamento de solicitações de asilo", afirma o relatório da HRW.

Além disso, vários profissionais de saúde brasileiros explicaram à organização que, em geral, os venezuelanos chegam aos hospitais em situação de maior gravidade do que os pacientes locais "por não terem recebido tratamento adequado em seu país".

Muitos são atendidos por complicações de doenças como Aids, pneumonia, tuberculose e malária que não tinham sido tratadas na Venezuela devido à escassez de medicamentos.

O número de venezuelanos que solicitaram asilo no Brasil subiu de 54 em 2013 para 2.595 nos primeiros 11 meses de 2016, segundo os dados citados pela HRW.

A ONG apresentou hoje este relatório ao secretário geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, e Vivanco pediu aos governos da América Latina que "coloquem a crise da Venezuela como assunto prioritário", porque "já está tendo consequências além de suas fronteiras" e, "cedo ou tarde, terão que pressionar Maduro para que deixe de negá-la e tome medidas". EFE