Zimbábue comemora aniversário de independência pela primeira vez sem Mugabe

Harare, 18 abr (EFE).- O Zimbábue comemora nesta quarta-feira o 38º aniversário de sua independência sem a presença do ex-presidente Robert Mugabe, que pela primeira vez na história do país não compareceu a essa cerimônia.

Apesar da ausência de Mugabe, que, após 37 anos no poder, foi derrubado por um golpe militar em novembro de 2017, a cerimônia contou com a presença de líderes de outros partidos opositores, algo que contrasta com comemorações anteriores, dominadas exclusivamente pela governante União Nacional Africana de Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), do ex-presidente.

Seu antigo aliado e agora substituto na Presidência, Emmerson Mnangagwa falou diante dos milhares de cidadãos que foram ao Estádio Nacional de Esportes da capital, Harare, para pedir aos líderes políticos que "deixem de lado a violência política e o discurso de ódio" em relação às eleições que serão realizadas este ano.

"Exijo a todos os líderes dos partidos políticos que escutem o chamado do nosso hino nacional e sejam exemplares", disse Mnangagwa.

O presidente reiterou hoje seu convite aos observadores internacionais, expulsos há anos por Mugabe, para as eleições, que devem ser realizadas antes do final de julho, e afirmou que seu governo aprovou "medidas para que as eleições sejam livres, justas e críveis".

O público aplaudiu entusiasmado o desfile da Polícia, do Exército e das Forças Aéreas, especialmente quando quatro aviões militares sobrevoaram o local.

"Pensemos no nosso país em grande estilo. Nada é impossível, o Zimbábue deve se erguer e voltar a ser grande", disse Mnangagwa.

O líder, de 75 anos, também teve tempo para abordar os problemas que o país enfrenta, como o aumento dos preços e a falta de liquidez.

"Meu governo é consciente destes problemas causados pela falta de dinheiro. Este problema é grande e não se pode resolver de um dia para o outro".

O Zimbábue sofre uma grave crise econômica causada por uma hiperinflação que começou em 2008 e levou à troca da moeda nacional. EFE

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