Morre biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, aos 80 anos

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    Ambientalista norte-americano

CAMPO GRANDE, MS (FOLHAPRESS) - Um dos pioneiros do estudo do impacto das mudanças climáticas na biodiversidade, o biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, 80, morreu neste sábado (25). Ele deixa um legado de mais de cinco décadas de pesquisa na região amazônica, principalmente no Brasil.

Lovejoy entrou na floresta pela primeira vez em 1965, um ano após se graduar em biologia na Universidade Yale (EUA). Nos anos seguintes, estudou a diversidade e a estrutura de pássaros e árvores no baixo rio Amazonas, tema de seu doutorado.

"Na época, a bacia amazônica era, em sua maior parte, uma floresta virgem. Era um sonho para qualquer biólogo porque havia apenas uma estrada em toda a região, que tinha uma população de 3 milhões de pessoas", afirmou Lovejoy, ao receber o prêmio Blue Planet de 2012, considerado o Nobel do Meio Ambiente.

Um dos projetos mais importantes de Lovejoy na Amazônia é o Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (BDFFP, na sigla em inglês). Criado em 1979, buscava contribuir para um debate sobre se, do ponto de vista da conservação ambiental, é melhor criar muitas reservas pequenas ou apenas uma reserva grande.

"Em 2003, depois de conduzir pesquisas por mais de 15 anos, cheguei à conclusão significativa de que uma única grande área seria melhor do que várias áreas pequenas para proteger os ecossistemas e publiquei nossas descobertas em um artigo", afirmou Lovejoy em 2012.

"O resultado da pesquisa de campo mostrou que, onde uma floresta se fragmenta em uma área de 100 hectares, metade das aves estaria extinta em 15 anos. Acho que esse artigo é o mais valioso entre os mais de 600 que publiquei até agora", completou.

O projeto gerou inúmeros outros frutos. Ao longo de mais de quatro décadas, o BDFFP já graduou mais de 300 mestres e doutores e cerca de 1.500 assistentes de pesquisa, além de centenas de alunos treinados em campo. Também catalogou algumas milhares de espécies, dezenas das quais novas para a ciência.

O balanço é de José Luís Camargo, secretário-executivo do projeto e pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). "Todos que participaram e que participam dessa grande escola ou dessa grande aventura científica no coração da Amazônia deve muito ao Tom e em nome de todos eles, tomo a liberdade de dizer que neste momento dedicamos grandes pensamentos ao Tom", escreveu.

"O Tom criou condições para que jovens pesquisadores, estudantes, pudessem de fato ter acesso à Amazônia, que é um pouco impenetrável para quem é de fora. Ele criou um portal, uma ponte", afirma a pesquisadora Rita Mesquita, que entrou no BDFFP em 1985, aos 22 anos, e hoje é coordenadora de extensão do Inpa.

"Ele foi sempre uma inspiração. Tanto como profissional, pela sabedoria, seu alcance seu equilíbrio, mas também como pessoa, com a sua gentileza e capacidade de ouvir e não julgar", afirma o ornitólogo Mario Cohn-Haft, curador de aves do Inpa e marido de Mesquita, ambos amigos próximos de Lovejoy.

Thomas Lovejoy tratava um câncer de pâncreas. Ele deixa três filhas.

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