Morre Contardo Calligaris, psicanalista e escritor, aos 72 anos

O Globo
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RIO — Morreu na noite deste domingo (28) o escritor, psicanalista e dramaturgo Contardo Calligaris, aos 72 anos, de câncer. Conhecido por suas colunas no jornal "Folha de S. Paulo", e por diversos livros sobre sociedade e psicanálise. A morte foi confirmada pelo filho, Max Calligaris, em publicação no Instagram.

Nascido em Milão, Itália, em 1948, Calligaris entrou para a Escola Freudiana de Paris em 1975. Neste período, ele chegou a frequentar aulas com o lendário Jacques Lacan. Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de Provença (França), ele foi Professor de Antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos), e de Estudos culturais na The New School em Nova Yprk

Calligaris visitou o Brasil pela primeira vez em 1986, para lançar seu primeiro livro de psicanálise, "Hipótese sobre o fantasma", e posteriormente passou a viver no país. Publicou livros de ensaios ("Crônicas do individualismo cotidiano", de 1996, sobre o mal-estar contemporâneo), relatos de viagem ("Hello Brasil", 2000, que explora a falta de conhecimento do brasileiro sobre o próprio país), de correspondência ("Cartas a um jovem terapeuta", 2007, com missivas dirigidas a estudantes, profissionais ou pessoas interessadas na área da psicologia) e ficção ("Conto do amor", 2008, sobre um terapeuta que volta à sua Itália natal).

Desde 1999, Calligaris escrevia regularmente para o jornal "Folha de S. Paulo". Em sua coluna, ele analisava produtos culturais sob a perspectiva da psicanálise, assim como assuntos do cotidiano. O livro "Quinta coluna" reúne mais de 100 textos publicados na imprensa entre 2004 e 2007.

Também assinou o roteiro, junto com Thiago Dottori, da série "Psi", exibida no canal HBO em 2014, que segue a rotina de um psicanalista dentro e fora do consultório. O psicanalista fictício da série, Carlos Antonini, também protagoniza o romance "A mulher de vermelho e branco, publicado por Calligaris em 2011.