Morre de covid-19 em prisão na Venezuela militar aliado de Chávez

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O ex-ministro da Defesa da Venezuela Raúl Baduel, em foto de 4 de março de 2008 (AFP/MIGUEL GUTIERREZ)

O general Raúl Baduel, considerado um dos presos políticos mais emblemáticos da Venezuela por ter sido ministro da Defesa do presidente Hugo Chávez, morreu de covid-19 sob custódia, informou o procurador-geral nesta terça-feira (12).

"Lamentamos o falecimento de Raúl Isaías Baduel de parada cardiorrespiratória, decorrente da covid-19", escreveu o procurador, Tarek Saab, no Twitter.

A morte do oficial reformado ocorreu "enquanto lhe aplicavam os cuidados médicos correspondentes" e após ter recebido "a primeira dose da vacina (anticovid)", acrescentou Saab.

Baduel, que faleceu aos 66 anos, ajudou a restituir o poder a Chávez, após o golpe de Estado de abril de 2002, que o tirou brevemente do cargo, mas logo se tornou seu adversário. Em 2004 foi nomeado comandante geral do Exército, cargo que ocupou até 2006, quando foi nomeado ministro da Defesa.

Passou à reserva em 2007. No mesmo ano se tornou adiversário do chavismo, ao expressar oposição a uma reforma da Constituição promovida por Chávez.

Em 2009 foi detido por acusações de corrupção. O ex-ministro cumpriu quase oito anos de pena e depois de ser posto em liberdade, em 2015, voltou a ser detido, em 2017, acusado de conspirar contra o atual presidente, Nicolás Maduro, que o destituiu da Força Armada e o rebaixou.

A família afirmou que soube da morte pelo Twitter. "Eu nem mesmo recebi, por caridade, um telefonema de qualquer pessoa do governo", disse a esposa, Cruz Zambrano de Baduel, ao canal de internet EVTV.

Zambrano afirmou ainda que Baduel, a quem viu pela última vez há quatro semanas, não tinha covid. "Quando o tiraram de 'La Tumba', ele não tinha covid, não é verdade, sei que o vacinaram uma semana antes de tirá-lo de 'La Tumba'".

'La Tumba' ou 'Helicoide' são os nomes atribuídos a um um centro de detenção do Serviço Nacional de Inteligência Bolivariano (Sebin) em Caracas, sobre o qual pesam várias denúncias de supostas violações dos direitos humanos.

"Com a morte de Raúl Isaías Baduel já são dez os presos políticos mortos sob custódia", disse o advogado Gonzalo Himiob, da ONG Fórum Penal, dedicada a defender presos políticos.

"A responsabilidade sobre a vida e a saúde de qualquer detido recai sobre o Estado. Exige-se continuamente tratamento médico para os presos. Quase nunca há uma resposta adequada", reforçou Himiob em uma mensagem em sua conta no Twitter.

Dois dos filhos de Baduel também foram detidos sob acusações de conspiração, o primeiro deles Raúl Emilio, que agora está em liberdade. Josnars Adolfo Baduel foi detido por suposta participação em uma incursão marítima em maio de 2019 que tentava a saída de Maduro. Ele continua detido.

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