Morre de Covid-19 o fotógrafo e militante do movimento negro Januário Garcia

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RIO - O fotógrafo e ativista do movimento negro, Januário Garcia, morreu vítima de complicações decorrentes da Covid-19, na noite desta quarta-feira, aos 77 anos. De acordo com informações de amigos, ele deu entrada no Hospital São Lucas, para tratar de uma pancreatite e teria contraído a doença. Ainda não foram divulgadas informações sobre o sepultamento.

Na sua longa carreira como fotógrafo, Januário teve passagens por vários veículos de imprensa como os jornais O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, A Tribuna, e as revistas Manchete, Fatos & Fotos e Revista da Unesco. É autor de livros sobre a cultura afro-brasileira e foi presidente do Instituto de Pesquisas da Cultura Negra (IPCN).

Nas décadas de 1970 e 1980, quando as capas de discos eram tratadas como verdadeiras obras de arte fez fotos que embalaram os trabalhos de artistas como Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Fagner, Belchior, Fafá de Belém, Leci Brandão, Raul Seixas, Edu Lobo, e muitos outros.

Sua morte repercutiu nas redes sociais. A cantora Leci Brandão lamentou a perda do amigo:

“Com muita tristeza, recebemos a notícia da morte desse grande amigo, Januário Garcia, por COVID-19. Januário foi muito importante na minha vida, além de fazer 4 capas de LPs, também propunha os títulos dos discos e dava opiniões sobre o repertório. Foi ele quem me apresentou a musicalidade e as cores do Olodum, além de introduzir na minha vida o pensamento de Lélia Gonzales. Só tenho agradecer a Deus por ter colocado ele na minha vida. Sou muito grata por tudo! Januário Garcia, presente!”

A deputada federal Benedita da Silva também registrou a perda:

“O dia começa cheio de tristeza com a partida precoce do querido Januário Garcia, por causa da covid. Como bem pontua a nota do Centro de Articulação de Populações Marginalizados (CEAP), o "Januário esteve presente na formulação e ativismo de todas as lutas recentes do Movimento Negro construído, por meio do seu trabalho como fotografo, toda a iconografia da memória das nossas conquistas e adversidades. Mestre exemplar e querido, formou gerações de fotógrafos negros, produziu arte sem desvio da sua consciência e da sua responsabilidade com o seu povo. " Estará sempre presente nos nossos corações. Que Deus conforte o coração da família, amigos e companheiros de luta!”, postou nas redes sociais.

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