Morre o escritor francês Serge Doubrovsky, pai da autoficção

Feira de livros, na França

O escritor e crítico literário francês Serge Doubrovsky, inventor do conceito de autoficção, morreu na madrugada desta quinta-feira aos 88 anos em Paris, informou a Universidade de Nova York, onde ele trabalhou por muitos anos.

Tom Bishop, diretor do centro de civilização e cultura francesa na Universidade de Nova York (NYU), confirmou a morte de Serge Doubrovsky à AFP.

"Estou muito emocionado por esta perda. Ele era um homem extraordinário (...) Era um grande professor e um grande escritor", declarou.

Com a publicação em 1977 de "Fils", seu terceiro romance, Serge Doubrovsky lançou as bases da autoficção, um gênero entre a autobiografia e ficção que floresceu na literatura.

A autoficção "existia antes de mim. Eu simplesmente dei-lhe um nome e a conceitualizei", explicou Serge Doubrovsky em 2014 em uma entrevista à revista francesa Télérama.

Antes disso, escrever sobre si mesmo "era visto como acidentes literários na vida e a bibliografia de autores cujo resto do trabalho era muitas vezes muito diferente", afirmou, olhando para trás sobre este neologismo que se tornou famoso.

Nascido em 22 de maio de 1928 em Paris em uma família judia, Julien-Serge Doubrovsky era filho de um alfaiate e de uma secretária. Durante os anos da Ocupação nazista, conseguiu escapar com sua família da deportação escondendo-se.

Aluno brilhante, entrou na Ecole Normale Superieure no final da guerra. Especialista nos dramaturgos franceses Racine, Molière e Corneille, foi nomeado professor de literatura francesa na Universidade de Nova York (NYU) em 1966.

Construiu a maior parte de sua carreira nos Estados Unidos antes de retornar à França em 2007.

Publicou seu primeiro romance, "Le jour S" em 1963, mas foi "Fils" que marcou sua carreira.

Autor de uma dúzia de romances e ensaios, Serge Doubrovsky recebeu em 1989 o Prêmio Médicis, um dos mais prestigiados da literatura francesa por "Le livre brisé".