Morre ex-presidente guatemalteco sancionado pelos EUA por corrupção

O ex-presidente da Guatemala Álvaro Colom (2008-2012), sancionado por corrupção em 2021 nos Estados Unidos, morreu na segunda-feira (23) aos 71 anos por causas não divulgadas, informaram ex-membros de seu gabinete.

"O presidente Álvaro Colom faleceu. Lamento sua passagem e me uno em oração por seu descanso eterno", escreveu no Twitter o ex-ministro do Interior, Carlos Menocal (2010- 2012), sem mencionar detalhes sobre a morte do ex-presidente que tratava uma câncer de esôfago.

Colom foi sancionado em julho de 2021 por Washington que o incluiu na lista de "atores corruptos e antidemocráticos" no chamado Triângulo Norte da América Central, a Lista Engel.

Os Estados Unidos proibiram a entrada de Colom em seu território depois que foi processado em 2018 por supostas irregularidades em um contrato de transporte público celebrado em seu governo por 35 milhões de dólares.

"Lamento o falecimento de Álvaro Colom Caballeros, ex-presidente da Guatemala, que esta noite nos deixou em sua jornada para a eternidade", afirmou nas redes sociais o atual presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei.

- Corrupção -

O ex-presidente foi acusado pela Procuradoria Especial Contra a Impunidade por supostas irregularidades no sistema pré-pago de um serviço de passageiros na capital. Colom foi preso junto com vários ex-ministros, mas saiu da prisão após o pagamento de uma fiança.

O caso também foi investigado pela Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), uma instância da ONU que operou de 2007 a 2019 e revelou vários escândalos de corrupção.

O governo social-democrata de Colom se caracterizou pela implementação de programas de assistência social, muitos copiados do Brasil, como bolsas de auxílio à alimentação.

Sua ex-esposa, Sandra Torres, será pela terceira vez candidata presidencial nas eleições de 25 de junho. "Que descanse em paz um homem nobre que sempre levou a Guatemala no seu seu coração", disse Torres no Twitter.

Engenheiro industrial egresso da Universidade de São Carlos (USAC), Colom foi empresário do setor têxtil, servidor em várias estatais e fundador da Unidade Nacional da Esperança (UNE).

Entrou para a política em 1999 como candidato presidencial de uma coalizão formada por um recém-criado partido que emergiu da ex-guerrilha após um acordo de paz que encerrou um conflito de 36 anos, com cerca de 200 mil mortos e desaparecidos.

Nesta eleição ficou em terceiro lugar. Na votação de 2003 perdeu no segundo turno para o direitista Óscar Berger (2004-2008). A Presidência foi conquistada em novembro de 2007 ao derrotar o general da reserva Otto Pérez.

Pérez, presidente de 2012 a 2015, também foi alcançado pelas investigações da Procuradoria e da CICIG que o acusaram de um golpe alfandegário que o obrigou a renunciar quatro meses antes de deixar a cadeira presidencial.

Em 8 de dezembro, Pérez, de 72 anos, foi sentenciado a 16 anos de prisão pela fraude milionária, junto com sua ex-vice-presidente, Roxana Baldetti.

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