Morre Haroldo Lima, ex-diretor geral da ANP e dirigente histórico do PCdoB

O Globo
·2 minuto de leitura

RIO - Morreu nesta quarta-feira, aos 81 anos, de complicações decorrentes da Covid-19, o dirigente histórico do PCdoB e ex-diretor-geral da ANP Haroldo Lima. Ele estava internado há duas semanas em um hospital de Salvador. Atualmente, integrava o Comitê Central do PCdoB e o Comitê Estadual da Bahia.

“Lamentamos profundamente a irreparável perda de um dos mais destacados quadros nacionais do PCdoB nas últimas décadas e prestamos irrestrita solidariedade aos familiares, aos amigos e aos militantes neste momento de dor”, afirmou o presidente do PCdoB na Bahia, Davidson Magalhães, em nota.

Nascido em Caetité, na Bahia, Haroldo Lima entrou para a política ainda nos anos 1950, durante formação da Universidade Federal da Bahia. A filiação ao PCdoB só veio em 1972, após anos de confronto contra a ditadura e vida na clandestinidade. Sua esposa, Solange Silvany, foi a primeira presa política da Bahia.

Haroldo Lima foi um dos fundadores da organização Ação Popular, movimento de luta armada criado para combater a ditadura. Em 15 de dezembro de 1976 foi preso durante uma reunião clandestina do Comitê Central do PCdoB, no bairro da Lapa, em São Paulo.

O episódio, que ficou conhecido como a "Chacina da Lapa", deixou três dirigentes do partido mortos e cinco presos.

Na prisão, segundo denúncias do próprio Haroldo nos tribunais militares, foi "barbaramente" torturado nas dependências do DOI-CODI em SP. Passou três anos entre o presídio do Barro Branco, em São Paulo, e a Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador.

Em 1979, com a abertura política, Haroldo foi solto e retornou à militância. Em 1981, foi preso novamente sob acusação de ter articulado a depredação de ônibus urbanos em protesto contra aumento do preço das passagens de ônibus em Salvador.

Em 1982, foi eleito deputado federal pelo PMDB da Bahia. Com a legalização dos partidos de esquerda, em 1985, Haroldo Lima filiou-se oficialmente ao PCdoB.

Continuou na Câmara até o fim de seu quinto mandato pelo PCdoB, em janeiro de 2003.

À frente da ANP

No governo Lula, foi convidado para a Agência Nacional do Petróleo, onde foi diretor-geral de 2005 a 2011. Em 2008, anunciou a maior descoberta de petróleo da história do Brasil, a então nova fronteira do pré-sal.

Esteve à frente da agência também nas discussões sobre a criação do marco regulatório da partilha da produção de petróleo e gás no país.

Ao deixar a empresa, passou a atuar como um dos mais respeitados consultores sobre energia do petróleo.