Morre Heloísa Aleixo Lustosa de Andrade, ex-diretora do MAM-Rio

Faleceu, no último domingo (5), aos 94 anos, Heloísa Aleixo Lustosa de Andrade, ex-diretora do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) e do Museu Nacional de Belas Artes. Embora tenha morrido no Rio, foi sepultada no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.

Heloísa também presidia a Academia Brasileira de Arte e era filha de Pedro Aleixo, político mineiro que foi impedido de assumir a Presidência da República pela ditadura militar. Civil, Aleixo era vice do marechal Artur da Costa e Silva, afastado por problemas de saúde, e precisou se esconder no apartamento da filha, em Copacabana.

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Em nota de pesar divulgada no domingo e assinada pelo secretário-geral Victorino Chermont de Miranda, a Academia Brasileira de Arte afirmou que a “cultura brasileira perdeu uma de suas figuras mais representativas”.

“Heloísa deixa um enorme vazio na vida cultural do país, onde se destacava pelo empreendedorismo, ousadia e capacidade de agregação. Amiga de seus amigos, tinha um coração generoso, avesso a preconceitos e malquerenças”, diz a nota. “Ao lado de Eliane, sua filha, marcou época à frente da Academia Brasileira de Arte, em agradáveis jantares de abertura de ano, onde exercitou com mestria a arte de receber e a convivência acadêmica. Deixa muitas saudades e assim viverá na lembrança de quantos tiveram o privilégio de conhecê-la.”

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Ao GLOBO, Pedro Vieira, atual diretor executivo do MAM, afirmou que o museu de despede de Heloísa com muita tristeza.

— O Brasil perde uma pessoa que sempre esteve disposta a trabalhar em prol de instituições culturais. Heloísa era obstinada e sabia congregar pessoas interessadas em pensar e proteger a cultura nacional — disse.

Nascida em Belo Horizonte, Heloísa estudou filosofia, ciências e letras na Universidade Federal de Minas Gerais e estagiou nos museus Hermitage, em São Petersburgo, e de Arte Moderna, em Paris. Em entre 1973 e 1978, dirigiu o MAM e enfrentou a ditadura ao permitir a realização do show “Banquete dos mendigos”, de Jards Macalé. O evento contou com a participação de Chico Buarque, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Gal Costa, Raul Seixas e Jorge Mautner.

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A filha caçula de Heloísa, Eliane, disse ao jornal Estado de Minas que a mãe “se colocava contra todo e qualquer tipo de ditadura”, “qualquer arbitrariedade”. Eliane também ressaltou a dedicação “obsessiva” da mãe ao trabalho. “Me lembro de quando ela assumiu o MAM. As conversas de jantar em família eram somente sobre o museu. Cuidava daquilo como se fosse a vida dela”, disse.

Entre 1991 e 2008, foi diretora do Museu Nacional de Belas Artes. Também foi professora de administração de instituições culturais na Universidade Cândido Mendes e participou dos conselhos culturais do Estado, da Associação Comercial e da Arquidiocese do Rio. Recebeu a Orde des Arts et des Lettres do governo francês e também a Medalha do Estado da Guanabara e o título de Cidadã Honorária do Estado do Rio de Janeiro.

Heloísa foi vice-presidente da Academia Brasileira de Arte entre 1996 e 2010. Assumiu a presidência da instituição em 2013 e 2018.

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