Morre João Carlos Figueiredo Ferraz, colecionador de arte contemporânea, aos 69

·2 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Retrato do colecionador e fundador do Instituto Figueiredo Ferraz, João Carlos Figueiredo Ferraz. (Foto: Bruno Poletti/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Retrato do colecionador e fundador do Instituto Figueiredo Ferraz, João Carlos Figueiredo Ferraz. (Foto: Bruno Poletti/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - João Carlos de Figueiredo Ferraz, um dos mais importantes colecionadores de arte contemporânea do Brasil, morreu nesta segunda (6). Ele tinha 69 anos.

A informação foi divulgada pelo Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, da qual o colecionador era fundador e presidente. "Esta instituição, fundada em 2011 em Ribeirão Preto para abrigar a Coleção Figueiredo Ferraz de Arte Contemporânea, que hoje tanto representa para a cena cultural e artística de nosso país, não teria sido possível se não fosse o empenho e dedicação apaixonada com que João se lançava na construção de seus ideais", diz a nota.

Ex-usineiro que saiu de São Paulo para morar em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Figueiredo Ferraz se tornou um dos mais importantes colecionadores privados de arte contemporânea do Brasil. Economista, ele abriu seu museu, o Instituto Figueiredo Ferraz, ao lado da mulher Dulce, onde expôs suas mais de 1.000 obras.

Seu espectro de quadros, esculturas e instalações contempla o período dos anos 1980 até os dias atuais com nomes como Vik Muniz, Adriana Varejão, Leda Catunda e Tunga, entre outros.

Filho de ex-prefeito de São Paulo, o engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz (1970-73) --que fez os cálculos para o vão livre do Masp--, Figueiredo Ferraz descobriu as artes através do padrasto, que lhe mostrou livros com obras de Van Gogh, Manet e Monet. Mas ele depois passou a se interessar mais pela produção de artistas dos anos 1970.

"Surgia um trabalho diferenciado. Via aqueles quadros do pós-Guerra, as obras de [Jackson] Pollock, cheio de pingos. A arte contemporânea é aquela loucura. Eu achava lindo, mas não entendia nada", ele disse à Folha em um perfil de 2010.

A partir dos anos 1980, dirigiu a usina Jardeste, em Jardinópolis. Foi quando começou a colecionar as obras, aproveitando as vindas para São Paulo. Se aproximou de artistas como Rodrigo Andrade, Fabio Miguez, Nuno Ramos, Tunga, Jorginho Guinle --de quem comprou sua primeira obra-- e Leda Catunda.

Na década seguinte, seu acervo era tão grande que ocupava dois galpões na fazenda da família da esposa. "Um colega disse: 'Nunca pensei em ver um negócio desses na casa de um amigo'. Mas aprenderam a gostar", ele disse em 2010.

Figueiredo Ferraz ainda foi presidente da Fundação Bienal de São Paulo entre 2016 e 2018. Também integrou o conselho de instituições importantes como o Museu de Arte de São Paulo (Masp), Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), Museu de Arte Moderna (MAM-SP) de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museu Brasileiro de Escultura (MuBE).

No Instagram, a galerista Luisa Strina lamentou a morte do amigo. "É com grande pesar que recebemos a notícia do falecimento do querido João Carlos de Figueiredo Ferraz. Grande amigo e incentivador da arte, sentiremos sua falta. Descanse me paz."

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos