Morre John Williamson, criador da expressão Consenso de Washington

O Globo
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RIO - O economista britânico John Williamson, o criador da expressão Consenso de Washington, faleceu no domingo, aos 83 anos. A notícia foi divulgada no fim da noite de domingo em uma rede social por sua filha Theresa Williamson.

Segundo nota divulgada pelo Instituto Peterson para Economia Internacional (PIIE, pela sigla em inglês), Williamson faleceu em sua casa, na cidade de Chevy Chase, estado de Maryland. Ele foi um dos fundadores do PIIE.

O instituto ressaltou que seu “trabalho pioneiro na economia do desenvolvimento, regimes cambiais, reforma monetária global e muitos outros assuntos influenciaram todo o campo da economia internacional. Ele foi um autor prolífico e um mentor estimado para muitas gerações de acadêmicos e legisladores, especialmente em seus 32 anos no PIIE.”

Williamson trabalhou no Departamento do Tesouro do Reino Unido, no FMI e no Banco Mundial, além de ter lecionado nas universidades de Warwick, York, PUC do Rio (de 1979 a 1981), Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Princeton. Ele morou no Brasil e foi casado com uma brasileira.

Em 1989, ele cunhou o termo Consenso de Washington para descrever as políticas de disciplina fiscal e liberalização de mercado, recomendadas por Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI) para a América Latina.

Tanto sua filha como o PIIE lembraram o outro lado de Williamson: o de conservacionista e observador de pássaros, que registrou mais de quatro mil espécies em suas viagens pelo mundo. O instituto cita ainda sua integridade, gentileza e humildade.

Paul Krugman, ganhador do Nobel de Economia e colunista do New York Times, disse que Williamson foi “uma pessoa adorável, que teve uma grande contribuição para a economia internacional”. E lembrou que o colega ajudou a elaborar um sistema cambial que ajudou os países em desenvolvimento a escapar das crises em seus balanços de pagamento.

A economista brasileira Monica de Bolle, senior fellow do Peterson, recordou ter conhecido Williamson no Brasil, “um país do qual ele gostava muito e que compreendia melhor que a maior parte dos economistas que conheço.” Ela disse ainda que ele era “um acadêmico brilhante e um ser humano fantástico.”

Dani Rodrik, economista da Universidade de Harvard, afirmou em redes sociais que Williamson será lembrado pelo Consenso de Washington, mas ressaltou que “seus próprios pontos de vista eram consideravelmente mais matizados do que o que o Consenso veio a defender. Ele não era fã da globalização financeira.”