Morre jornalista da velha guarda, que tratou a notícia com dignidade e respeito

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para os amigos de Brasília, por ter nome atípico para um gaúcho, Severino era Biu, forma popular no Nordeste para se referir aos Severinos.

Natural de Santana do Livramento (RS), na fronteira com o Uruguai, ele foi criado em Santa Maria, no mesmo estado, e em 1977 mudou-se para Brasília.

Amante da literatura, em especial de Érico Veríssimo (1905-1975), e mestre da escrita, foi um grande jornalista e comunicador.

Severino se formou na Universidade Federal de Santa Maria, estagiou na Folha e virou repórter da sucursal de Brasília. Ficou no veículo por pouco tempo, entre fevereiro e abril de 1986.

Durante a carreira, passou por importantes Redações como a do jornal O Globo, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Gazeta (Porto Alegre) e Zero Hora, segundo a jornalista Letícia Borges, 62, sua ex-mulher.

Fora dos impressos, foi oficial de comunicação e informação pública da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil por dez anos, assessorou os ministérios da Agricultura (governo Collor) e do Planejamento Desenvolvimento e Gestão do Brasil e integrou a equipe de Comunicação do Palácio do Planalto (ambos no governo Temer).

Como assessor de imprensa, ainda esteve na Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho). Mesmo aposentado, não encerrou a carreira. Trabalhava como repórter no Conjur (Consultor Jurídico) na cobertura de temas relacionados ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Para Mauricio Cardoso, diretor-executivo do ConJur e do Anuário da Justiça, Severino dava dignidade à informação que transmitia.

"Ele amava e levava a sério a profissão. Era rígido com o próprio trabalho e muito ético. Tinha um texto bom, prezava a informação, a apuração e valorizava a informação. Eu o admiro pela seriedade e pelo caráter, e por ser comprometido com a informação, o que faz falta. Informação é mercadoria preciosa, que precisa ser tratada com o respeito", afirma Mauricio.

Biu colecionou amigos. Era introspectivo, exigente no trato e dono de um humor fino. Além de rigoroso consigo, com os outros e a vida, tornou-se um crítico social e principalmente do jornalismo atual.

Severino conheceu Letícia no ambiente jornalístico, mas começou a namorá-la no cinema, durante a exibição do filme "O Exterminador do Futuro" —nada mal para um cinéfilo confesso. Ele guardava uma coleção de filmes em DVDs.

Em casa, o jornalista saía de cena e dava lugar ao exímio cozinheiro e churrasqueiro.

Severino morreu dia 22 de agosto, aos 70 anos, após sofrer um infarto. Separado, deixa três filhos.