Morre médico Marcio Leal de Meirelles, no Rio, aos 87 anos

Evelin Azevedo
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Divulgação/Observatório da Saúde do Rio de Janeiro

RIO — Um apaixonado pela medicina e defensor do Sistema Único de Saúde (SUS). É assim que que o cirurgião vascular Marcio Leal de Meirelles é lembrado por parentes e companheiros de trabalho.

Engajado na profissão, ele foi presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular nacional, como também da regional do Rio de Janeiro. Idealizou e fundou a Coopangio, uma cooperativa de angiologistas e cirurgiões vasculares cujo objetivo era aumentar o acesso de pacientes à especialidade expandido os convênios de saúde aceitos pelos médicos.

Sua experiência como servidor público, chefiando o Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Souza Aguiar e também a frente de sua Direção, Marcio Leal de Meirelles se dedicou a estudar e a dar visibilidade às questões da saúde pública por meio do Observatório da Saúde do Rio de Janeiro, que fundou em 2016 e foi seu presidente. Ele também é um dos fundadores do Instituto de Medicina e Cidadania.

— Para todos que têm uma preocupação com o SUS, com a ideia do acesso das pessoas à atenção a saúde, esta é uma perda muito grande. O Dr. Marcio sempre foi a pessoa que defendia que o SUS era o melhor plano de saúde que existia, que tínhamos que aprender a valorizá-lo e a ajudá-lo a de fato tomar seu espaço — afirma Alice Selles, membro do Observatório da Saúde do Rio de Janeiro.

Catarinense de nascença e carioca de coração, Marcio Leal de Meirelles se formou em medicina em 1958 na então Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi estudar nos Estados Unidos para se tornar cirurgião. De volta ao seu país, recebeu a oportunidade de trabalhar como angiologista e cirurgião vascular e se encantou pela especialidade.

Marcio Leal de Meirelles enfrentou o câncer duas vezes. Há cerca de dez anos foi diagnosticado com um tumor no intestino e anos depois, com uma metástase no fígado. Curou-se após ser submetido a cirurgias e tratamentos quimioterápicos bem sucedidos.

— Meu pai sempre foi um homem muito correto, honesto, íntegro, que gostava muito de ajudar as pessoas. Além de ser médico, percebíamos nele um carinho muito grande com os pacientes que ele atendia. Isso transmitia uma noção muito grande de paixão à profissão, de dar algo a mais para o paciente, um sorriso. Ele sempre teve esse dom de ser carinhoso e de ser uma pessoa querida. Isto sempre me incentivou a seguir a mesma especialidade que ele — diz Sergio Leal de Meirelles, filho de Márcio.

Aos 87 anos, o médico foi mais uma das vítimas da Covid-19. Internado desde 2 de dezembro na Casa de Saúde São José, Dr. Marcio morreu nesta terça-feira, dia 5. Viúvo desde janeiro de 2019, ele deixa sete filhos, oito netos e sua paixão pelo Flamengo. Seu corpo será cremado nesta quarta-feira, dia 6.