Morre mais uma vítima de intoxicação por dietilenoglicol em Minas

Dietilenoglicol foi encontrada em cervejas da Backer, mas empresa diz que não usa substância tóxica no processo

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou na manhã desta quarta-feira mais uma morte decorrente da síndrome nefroneural, causada por intoxicação pelo solvente dietilenoglicol. A vítima é um homem que vinha sendo contabilizado entre as 17 vítimas internadas após o consumo da cerveja Belorizontina.

É o segundo óbito confirmado pelas autoridades mineiras — o falecimento de uma idosa de 60 anos em Pompéu (MG), divulgado ontem pela prefeitura local, ainda não foi reconhecido como um caso da doença a nível estadual.

A identidade do homem não foi divulgada. A primeira vítima fatal conhecida, Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, morreu em Juiz de Fora no último dia 7 em decorrência de insuficiência renal grave e alterações neurológicas, os principais sintomas da doença.

Segundo a Polícia Civil mineira, o corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para processos de exames e perícia. Procurada, a secretaria estadual de Saúde de Minas informou que atualizará as informações no final do dia.

A perícia particular contratada pela Backer confirmou ao GLOBO a presença do dietilenoglicol (DEG) nas amostras colhidas pela empresa.

—  Até o momento, todos os resultados batem com os divulgados pela Polícia Civil —, informa Bruno Botelho, professor de departamento de química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em controle de qualidade de cerveja. Ele trabalha a pedido da empresa, como informou a diretora de marketing  Paula Lebbos em coletiva na manhã de hoje.

O especialista revela ainda que encontrou a substância tóxica na cerveja dos lotes contaminados e também no aparelho de refrigeração da fábrica da Backer. Procurada pelo GLOBO, a assessoria de imprensa da Backer disse não ter a informação dada por Botelho à reportagem do jornal.

—  O DEG estava na bebida do lote 1348 e no fluido de refrigeração do chiller — afirma Botelho, em referência aos lotes L1 1348 e L2 1348.

Segundo o professor, o fluido não entra em contato com a bebida durante a produção.

— Ele fica em uma serpentina posicionada ao redor do tanque da cerveja. Para que acontecesse um vazamento, era preciso haver uma rachadura em cada superfície e elas precisariam ser no mesmo lugar — explica.