Morre na prisão na Guiné Equatorial um opositor de nacionalidade espanhola

Um opositor do regime da Guiné Equatorial, de nacionalidade espanhola, morreu na prisão neste país onde estava detido desde seu suposto sequestro em 2019, denunciou nesta segunda-feira (16) seu movimento opositor.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Espanha confirmou à AFP o falecimento, sem dar mais detalhes sobre suas circunstâncias. A morte também foi confirmada pelo governo equatoguinense.

Julio Obama Mefuman, de 51 anos, "morreu na prisão de Oveng Azem", em Mongomo (leste), anunciou em um comunicado o Movimento para a Liberação da Guiné Equatorial Terceira República (MLGE3R), o grupo opositor ao qual ele pertencia no exílio na Espanha.

A morte foi comunicada pelas "autoridades diplomáticas espanholas" a seus "familiares" na Espanha, indicou o MLGE3R, que não especificou a data nem como ele morreu.

O chanceler da Guiné Equatorial, Simeón Oyono Esono Angue, afirmou, por meio do Twitter, que o opositor havia falecido "em um hospital em Mongomo devido a uma doença que vinha sofrendo".

Andrés Esono Ondo, o secretário-geral do partido Convergência para a Democracia Social (CPDS), único de oposição permitido no país, condenou "a morte de Julio Obama na prisão" e pediu a "abertura de uma investigação (...) para esclarecer o ocorrido".

Duas semanas atrás, a justiça espanhola anunciou uma investigação pelo suposto sequestro e torturas de Julio Obama e outro opositor, também de nacionalidade espanhola, Feliciano Efa Mangue.

São investigadas três pessoas próximas ao presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, entre elas um de seus filhos, Carmelo Ovono Obiang, chefe do serviço de inteligência externa deste país da África central rico em petróleo.

Apresentados como autoridades máximas da segurança nacional, os três são suspeitos de ter organizado o sequestro no fim de 2019, no Sudão do Sul, dos dois espanhóis e de outros dois opositores, que também moravam na Espanha.

Segundo o jornal El País, que teve acesso aos registros policiais, os quatro opositores foram levados a força para a Guiné Equatorial, onde foram submetidos a sessões de tortura, nas quais os três investigados estiveram presentes.

Diante do anúncio da justiça espanhola, o vice-presidente Teodoro Nguema Obiang Mangue, que também é filho do chefe de Estado, acusou a Espanha de "ingerência" e chamou os três opositores de "terroristas".

O presidente Obiang "deve garantir que se abra uma investigação urgente e independente sobre a morte" de Julio Obama Mefuman, reagiu a Anistia Internacional em um tuíte.

Guiné Equatorial, uma ex-colônia espanhola, tem um regime considerado um dos mais autoritários do mundo. Teodoro Obiang, de 80 anos, é presidente desde 1979, recorde mundial de longevidade como chefe de Estado, exceto por monarquias.

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