Morre no Rio o chargista e ilustrador Mariano

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RIO — O cartunista e ilustrador Júlio Mariano, conhecido como Mariano, morreu nesta quarta (2/6) no Rio. Ele estava internado desde novembro de 2020 por um suspeita de AVC. Em seus mais de 40 anos de atuação, o capixaba passou pelas redações de publicações como O GLOBO, Pasquim, Jornal do Brasil e Última Hora, entre outros.

Pioneiro na produção de charges animadas para telejornais no início dos anos 1090, criou e administrava há 26 anos o site Chargeonline, uma das principais referências de humor gráfico da internet. Inovou com o chamado humor de divulgação científica, tendo publicado charges e ilustrações para o Jornal da Ciência, da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), desde a sua fundação, na década de 1980.

A Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de São Paulo (AQC) lamentou a morte de "um gigante das charges", destacando sua carreira "incrível e seu traço inigualável": "Sabemos que sua arte está mais viva do que nunca, bem como sua luta por um Brasil melhor e com mais humor, a despeito de toda a destruição da nação que temos visto e de uma pandemia terrível nunca dantes vivenciada por nosso povo", diz a nota assinada pelo cartunista Bira Dantas, membro da AQC.

O cartunista Willian homenageou Mariano com uma ilustração. Uma outra homenagem ao cartunista pela sua contribuição ao Humor Gráfico Brasileiro acontecerá no Salão de Humor de Caratinga, que acontece de 14 a 30 de junho, virtualmente.

Publicações e reconhecimento

Mariano foi vencedor por três vezes no Salão de Humor de Piracicaba: em 1982 (cartum), em 1986 (caricatura) e em 1989 (charge). E publicou dois livros: "Abre-te Sésamo!", com charges sobre a abertura política, de 1980, e "Até aí Morreu Neves", com charges sobre o processo de redemocratização e a morte de Tancredo Neves, publicado em 1986.

Mariano cursou Engenharia de Sistemas e Comunicação Social na PUC/RJ, onde foi vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes e Representante dos alunos no Conselho Universitário. Ele morava no Rio de Janeiro desde 1971.