Morre o ator Christopher Plummer, de 'A noviça rebelde', aos 91 anos

O Globo
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Morreu nesta sexta-feira, aos 91 anos, o ator Christopher Plummer, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 2012 por "Toda forma de amor". Prolífico e versátil, o canadense se tornou uma celebridade como o Capitão von Trapp, o protagonista romântico daquele que deve ser o filme musical mais popular de todos os tempos, "A noviça rebelde" (1965), e era considerado um dos grandes shakesperianos dos século passado. Além do Oscar, ele venceu dois Tonys e dois Emmys.

Ele morreu em sua casa, na cidade americana de Weston, em Connecticut. Segundo a esposa de Plummer, Elaine Taylor, a causa foi um golpe na cabeça, como resultado de uma queda.

Descendente de uma família outrora abastada cujo status havia diminuído na época em que ele nasceu, Plummer, no entanto, exibiu os aspectos externos do privilégio ao longo da vida. Ele tinha imensos dons naturais: o rosto e a figura de um protagonista; um semblante ligeiramente indiferente que traía uma confiança suprema; uma graça atlética discreta; uma voz sonora (para não dizer amável), e dicção requintada.

Ele também tinha charme e arrogância na mesma medida, e uma tendência tanto bibulosa quanto promíscua, que ele reconheceu mais tarde na vida quando suas maneiras se suavizaram e seus hábitos diminuíram. Em um incidente notório em 1971, ele foi substituído pot Anthony Hopkins como protagonista de "Coriolano" no Teatro Nacional, em Londres. Segundo o crítico Kenneth Tynan, que à época era gerente do teatro, Plummer foi dispensado após uma votação do elenco por seu comportamento rude e ultrajante. Por anos, ele fez pouco de "A noviça rebelde", considerando o filme uma armadilha melosa, até passar a compartilhar a opinião popular sobre o clássico, um ícone do entretenimento familiar afetuoso.. No longa, ele é o oficial naval austríaco Georg von Trapp, e contracena com Julie Andrews.

"Esses papéis sentimentais são os mais difíceis para eu fazer, especialmente porque fui treinado vocal e fisicamente para Shakespeare", disse em uma entrevista à "People", em 1982. "Para fazer um papel nojento como von Trapp, você tem que usar todos os truques que conhece para preencher a carcaça vazia do papel. Esse maldito filme me segue como um albatroz".

O currículo de Plummer, que englobou trabalhos de sete décadas, é pelo menos colossal, se não incomparável, abrangendo desde oportunidades para estrelar as maiores obras da literatura dramática, mas também papéis nos mais crassos exemplos de entretenimento comercial. Ele abraçou todos esses com uma graça misteriosa, ou pelo menos com prazer profissional, exibindo uma facilidade uniforme em desaparecer em personalidades que não eram as suas — piedosas ou ameaçadoras, benignas ou malévolas, severas ou suaves — e um deleite em entregar versos escritos por gênios elisabetanos e escritores de Hollywood.