Morre o cineasta e dramaturgo Domingos Oliveira, aos 82, no Rio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Morreu na tarde deste sábado (23) o cineasta e dramaturgo Domingos Oliveira, 82, no Rio de Janeiro. Ele estava trabalhando em sua casa, no Leblon, zona sul carioca, e nem chegou a ser levado para um hospital. A causa da morte não foi divulgada.

Amigos próximos do artista se reuniram no local para prestar apoio à família. O corpo seria velado na noite deste sábado (23), no Planetário da Gávea. O enterro está marcado para este domingo (24), no cemitério São João Batista, em Botafogo.

Oliveira escreveu e dirigiu filmes como “Todas as Mulheres do Mundo” (1966), BR 716 (2016) e “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais” (2008), entre outros. Oliveira sofria há anos de Mal de Parkinson, mas continuou trabalhando. Era um dos principais cineastas em atividade no país.

"Ele foi importantíssimo, uma pessoa que nos anos 1960 teve a coragem de falar de amor, quando todo mundo estava no sertão e falando de política. Ele sofreu preconceito por isso e foi muito corajoso de fazer da própria vida uma obra de arte. Ele brincava dizendo: 'Minha obra pode ser medíocre, mas a minha visão de mundo é genial", disse a atriz Maria Ribeiro, que atuou em "BR 716", além de outros filmes e peças de Oliveira.​

Em entrevista à Folha de S.Paulo, em outubro de 2014, o cineasta falou sobre o lançamento de sua autobiografia “Vida Minha” (Record, 2014) e se definiu como uma pessoa amorosa. “Não sou rico, não sou gênio. Mas sou forte no amor. É vocação: amo muito”, disse.

Oliveira nasceu no Rio de Janeiro, em 1936, e se formou em Engenharia. Ele começou a trabalhar no teatro em 1963, com o texto “Somos Todos do Jardim de Infância”, de sua autoria. Dirigiu no palco grandes atrizes, como Marília Pêra. Tônia Carrero e Fernanda Montenegro.

Passou a se destacar também pelo trabalho no cinema e na televisão, com uma obra que retrata histórias de família, amor, separação, entre outros temas semelhantes. Dizia que sua obra era essencialmente autobiográfica. Talvez por isso, passou a ser visto como um artista que tratava das relações humanas, o que lhe rendeu algum desprezo dos diretores do Cinema Novo.

Em “Todas as Mulheres do Mundo”, o mais famoso de seus 16 filmes, Leila Diniz interpreta Maria Alice, que leva um bon vivant (Paulo José) ao dilema: para ficar com ela, precisará deixar as paqueras. Oliveira foi casado com a atriz, a quem ele chegou a definir como uma “superdose de LSD”.

Quando fez 80 anos, em 2016, comemorou com uma festa de três dias e uma playlist com 12 horas de música.

“Ninguém nasce ou morre de repente. Existe um longo processo de morrer, que começa num dia”, disse ele à reportagem, também em 2014.