Morre o jornalista Jorge Miranda Jordão, aos 87 anos

O jornalista Jorge de Miranda Jordão

RIO — Morreu aos 87 anos nesta segunda-feira, no Rio, o jornalista Jorge Miranda Jordão. Com passagem por diversos veículos da imprensa nacional, Miranda Jordão nasceu em 1932, em Salvador, e iniciou sua carreira aos 21 anos, em 1954, no jornal "Última Hora", de Samuel Wainer, de quem era amigo.

Já naquele ano, o jornalista participou, direto do Palácio do Catete, antiga sede da Presidência da República, da cobertura do suicídio de Getúlio Vargas. Miranda Jordão dirigiu ainda as sucursais do "Última Hora" em São Paulo e em Porto Alegre. Em 1963, voltou à redação do veículo no Rio. Quatro anos depois, a convite do jornalista e empresário Otavio Frias, lançou a "Folha da Tarde", em São Paulo.

Próximo a Frei Betto, Miranda Jordão foi preso durante a ditadura militar, em Montevidéu, no Uruguai, e levado para o Dops em Porto Alegre. Em seguida, ficou detido no prédio do Doi-Codi, no Rio.

O jornalista também foi diretor das redações do jornais "O Dia", no Rio, e "Diário Popular", em São Paulo. À frente do "Diário Popular", Miranda Jordão, conhecido pelo texto preciso e rigidez na apuração, decidiu não publicar, em 1994, reportagens sobre o caso Escola Base, ao desconfiar das informações fornecidas pela Polícia de São Paulo. Na época, seis funcionários da instituição de ensino foram acusados equivocadamente de abuso sexual.

Miranda Jordão tratava um câncer e morreu após complicações cardíacas. O jornalista deixa três filhas e quatro netos. De acordo com familiares, o enterro ocorrerá na próxima quarta-feira no Cemitério do Catumbi, no Rio.