Morre o poeta Thiago de Mello, aos 95 anos, autor de 'Os estatutos do homem'

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RIO - Morreu nesta sexta-feira, 14, aos 95 anos, o poeta, tradutor e ensaísta amazonense Thiago de Mello. Ele faleceu em casa, em Manaus. A causa da morte ainda não foi informada.

Nascido em Barreirinhas, no interior do Amazonas, em 1926, Mello foi um dos grandes poeta de sua geração. Traduzido em meias de 30 idiomas e 70 anos de produção literária, trabalhou como editor, jornalista e diplomata.

Um de seus poemas mais famosos é "Os estatutos do homem (Ato Institucional Permanente)"), escrito logo após o golpe militar de 1964. O seu artigo primeiro dizia: "Fica decretado que agora vale a verdade/ agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira".

Com a ditadura, Mello enunciou ao posto de adido cultural no Chile, cargo que ocupava na época. Foi uma resposta ao Ato Institucional I, que entre outras coisas permitiria aos militares de cassar mandatos legislativos, suspender os direitos políticos e afastar servidores públicos.

Em 1965, Mello voltaria ao Brasil para combater a ditadura, mas acabaria preso logo após a saída do avião. Em novembro daquele ano, participou de uma manifestação de intelectuais em frente ao hotel Glória, no Rio, durante a abertura da II Conferência Extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA). O ato, que ficou conhecido como "os oito da Glória", resultou na prisão de Glauber Rocha, Carlos Heitor Cony e Joaquim Pedro de Andrade, entre outros. Mello escapou, mas acabou se apresentando às autoridades em seguida.

Quatro anos depois, o poeta entrou para a clandestinidade, após seu envolvimento com o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR). Mais uma vez, exilou-se no Chile, onde ficou até a ascensão de Augusto Pinochet, em 1973. No período em que esteve no Chile, Mello conviveu com o seu amigo Pablo Neruda.

Outro conhecido poema de Mello é "Faz escuro, mas eu canto, / Porque a manhã vai chegar", publicado em "A madrugada camponesa" (1965). Os versos inspiraram a 34º Bienal de Sâo Paulo, de 2020, que homenageou o poeta.

Mello publicou as coletâneas poéticas "Poesia comprometida com a minha e a tua vida" (1975), "Mormaço na floresta" (1984), "Num campo de margaridas" (1986) e "Acerto de contas" (2015), que ele considerava uma espécie de testamento da sua obra. Em prosa é autor dos ensaios "Arte e ciência de empinar papagaio" (1983), "Amazonas, pátria da água" (1990) e "O povo sabe o que diz" (1993), entre outros

Mello morou ainda na Argentina, em Portugal, na França e na Alemanha. Após o exílio na Europa, voltou a Barreirinhas, sua cidade natal. Nos últimos anos, com problemas de saúde, tinha fixado residência em Manaus.

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