Morre o sociólogo Luiz Alberto Gómez e Souza, aos 85 anos, vítima de câncer linfático

Bruno Alfano
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Divulgação

RIO - Morreu nesta quarta-feira o sociólogo Luiz Alberto Gómez e Souza, de 85 anos, em decorrência de um câncer linfático. Segundo a familia, ele está sendo velado em casa, em Juiz de Fora, e seu corpo será cremado. Deixa esposa, três filhos e seis netos.

Católico com militância em movimentos sociais, escreveu o livro de memórias "Um andarilho entre duas fidelidades: religião e sociedade", publicado em 2015.

Luiz Alberto nasceu em Lavras do Sul (RS) em 1935 numa família de cinco irmãos — entre eles, o ator Paulo José. Era bacharel em Direito pela PUC-RS, mestre em Ciência Política pela Escola Latino-Americana de Ciência Política e Administração Pública (ELACP), de Santiago do Chile, e doutor em Sociologia pela Universidade de Paris III Sorbonne Nouvelle, com a tese “Os estudantes católicos e a política”.

Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nota afirmando que "deixa o legado de uma vida marcada pelo diálogo entre a fé e o compromisso social, utilizando-se para tanto de seu profundo conhecimento na área das ciências sociais, aliado à firme consciência do laicato como sujeito eclesial".

Amigo de Luiz Alberto, Frei Betto afirma que ele juntou "uma grande vida intelectual com militância".

— Ia para a rua, se movimentava, ia para a base, rodava o brasil fazendo mta palesta, assessorava encontros de movimentos pastorais de igrejas. Era um cara aberto — afirma.

Pelas redes sociais, o teólogo Leonardo Boff lamentou a morte do amigo: "Despediu-se de nós no alvorecer de hoje Luiz Alberto Gomez de Souza para cair nos braços de Deus Pai e Mãe para o abraço infinito do amor e da paz. Cientista polítco e profundamente cristão sempre esteve do lado do povo, das causas da justiça e da libertação", escreveu.

Em 2018, Luiz Alberto recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Teologia, pela FAJE, de Belo Horizonte, por sua relevante contribuição no campo do Cristianismo.

Entre inúmeras funções que ocupou durante a vida, foi dirigente nacional da Juventude Universitária Católica (1956-1958), Secretário-geral da Juventude Estudantil Católica Internacional, em Paris (1959-1961), assessor de Dom Hélder Câmara durante do Concílio Vaticano II, assessor do ministro da Educação Paulo de Tarso dos Santos (1963), professor na UFRJ, UERJ, PUC-Rio e IUPERJ (1978-1997), assessor do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBRADES), professor visitante e assessor em vários países da América Latina e nos EUA (1966-1997).

Foi também funcionário da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL-ONU), em Santiago do Chile e no México (1969-1977), diretor do Escritório da América Latina e do Caribe no Departamento de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) (1982-1985), diretor executivo do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS) (1997-2005). Sua militância na sociedade levou-o ao exílio.