Morre Ota, cartunista célebre pela revista humorística 'Mad' no Brasil, aos 67 anos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cartunista Otacílio Costa d'Assunção Barros, mais conhecido como Ota, morreu nesta sexta-feira (24), uma das maiores referências do humor -e do terror- nos quadrinhos brasileiros. Célebre por seu trabalho ao longo de 34 anos na versão brasileira da revista de humor americana "Mad", Ota também editou a revista de terror Spektro a partir de 1977, até o fechamento da Vecchi, em 1983.

O corpo do ilustrador foi encontrado em seu apartamento no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro. Alguns vizinhos não conseguiam contatá-lo há cinco dias, conforme apurou o jornal O Globo, e então foram chamados os bombeiros. Quando a porta do apartamento foi arrombada, encontram o artista morto.

Fabiane Langona, que publica tirinhas diárias neste jornal, comenta perda desse que ela considerava um mestre. "O Ota sempre foi uma inspiração para mim desde criança. Foi o cartunista com o qual eu aprendi que se podia escrever muito e desenhar pouco e ser engraçado da mesma forma. Foi um privilégio muito grande, tê-lo como meu primeiro editor e ele foi, justamente, o maior e o melhor editor de humor e terror que o Brasil já conheceu".

Langona lembra ainda das vezes em que, quando saíam juntos, Ota mentia para garçons, dizendo que ela era uma filha perdida que ele teve quando esteve de passagem por Porto Alegre nos anos 1970. "Como ele, também sou canhota e temos um traço com alguma similaridade", lembra ela rindo. "Ele era um padrinho, que eu sempre cuidava, mesmo à distância, sabatinava as namoradas, mandava tomar banho, coisas do tipo. Eu estou muito arrasada", conclui.

"Se a gente analisar, grande parte da produção de quadrinhos nacionais a partir dos anso 1960 foi editada por ele mesmo, no tempo da Record, na Ebal [Editora Brasil-América Latina]. É um cara que faz parte da história dos quadrinhos brasileiros tanto quanto autor, como editor. Uma figura insubstituível", conclui.

Ota também publicou o livro "O quadrinho erótico de Carlos Zéfiro" em 1984, no qual analisou e firmou o reconhecimento dos chamados "catecismos" assinado pelo pseudônimo de Alcides Caminha.

Entre seus prêmios, ganhou o Troféu HQ Mix em 1994 de melhor revista independente pela "Revista do Ota", que só teve uma edição. Já em 2005, no Jornal do Brasil, o ilustrador assinou uma coluna sobre quadrinhos e, no ano seguinte, passou a publicar a tira Concursino para o jornal Folha Dirigida.

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