Morre pai de vítima da covid que recolocou cruzes na praia de Copacabana

Márcio Antônio do Nascimento Silva recolocou as cruzes, tiradas por outra pessoa, em homenagem às vítimas da covid, como o filho dele (Foto: Andre Coelho/Getty Images)
Márcio Antônio do Nascimento Silva recolocou as cruzes, tiradas por outra pessoa, em homenagem às vítimas da covid, como o filho dele (Foto: Andre Coelho/Getty Images)

Morreu aos 58 anos o taxista Márcio Antônio do Nascimento Silva, aos 58 anos. Ele ficou conhecido quando recolocou cruzes em memória às vítimas da covid, em forma de protesto, na areia da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Márcio teve um filho de 25 anos que morreu de covid-19 e foi à CPI no Senado Federal para depor.

Segundo o portal g1, Márcio Silva tinha um problema no coração e estava internado. O enterro estava previsto para acontecer na tarde desta terça-feira (4), no Cemitério São João Batista.

O filho de Márcio, Hugo Dutra do Nascimento, tinha 25 anos e morreu em decorrência da covid-19 em abril de 2020, ainda no início da pandemia. Ele estava fora do grupo de risco, mas contraiu a doença e morreu após 16 dias internado.

Em junho do mesmo ano, a ONG Rio de Paz fez um protesto. Foram abertas 100 covas na arena da praia de Copacabana, onde foram colocadas cruzes. Ainda com 40 mil mortes por covid no Brasil, a organização cobrava ações mais contundentes do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Um homem que passava pelo local derrubou as cruzes. Márcio, então, decidiu coloca-las novamente no local.

Em 2021, ele foi convidado para ir a CPI da Covid para depor. Ele compareceu e entregou 600 lenços brancos aos senadores.

“Eu acho que nós merecíamos um pedido de desculpa da maior autoridade do país. Porque não é questão política – se é de um partido, se é de outro. Nós estamos falando de vidas de pessoas. Cada depoimento aqui, eu acho que, em cada depoimento, um sentiu o depoimento do outro e acrescentou o que o outro tinha para falar, entendeu? Então, a nossa dor não é mimimi, nós não somos palhaços. É real”, disse na ocasião.

“O último momento que eu tive com o meu filho, que eu fui reconhecer, ele estava dentro de um saco. Eu tive que orar bastante, pedir a Deus para conseguir ir lá e reconhecer o meu filho, porque, como pai, era a última coisa que eu tinha que fazer por ele. Eu não pude dar um abraço no meu filho, eu não pude dar o último beijo. Eu cheguei a levar uma roupa para vesti-lo. Não consegui fazer nenhum ato simbólico, e um dos atos simbólicos: eu tive que ficar parado três horas, na porta do cemitério, ou quatro, olhando um carro, sabendo que o meu filho estava ali dentro, para ser enterrado”, lembrou, ao depor.