Morre Paula Rego, maior nome da arte contemporânea portuguesa, aos 87 anos

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Maior nome da arte contemporânea portuguesa, Paula Rego morreu na madrugada desta quarta-feira, aos 87 anos, em sua casa em Londres, onde vivia desda a década de 1950. A informação foi confirmada pela Casa de Histórias Paula Rego, um museu que abriga obras suas em Cascais, na Região Metropolitana de Lisboa, inaugurado em 2009. "Ela faleceu em paz esta manhã, depois de uma breve doença em sua casa no Norte de Londres, ao lado de sua família", informou sua galeria londrina, Victoria Miro.

Nascida em 26 de janeiro de 1935, em Lisboa, Paula estava entre as maiores pintoras em atividades no mundo. Filha única de uma próspera família, foi estudar Slade School of Art, Londres, entre 1952 e 1956, durante a ditadura de Salazar. Casou-se com o inglês Victor Willing, com quem teve três filhos. Dividiu-se entre a Inglaterra e Portugal até 1976, quando passa a viver definitivamente em Londres.

A pintora, que também trabalhou com desenho e gravura, criou um universo que transitava entre memórias e elementos da cultura portuguesa, além de temas como a repressão católica e o feminismo. Suas telas passaram a ser reconhecidas pela tensão latente por trás de situações aparentemente prosaicas.

Entre suas séries mais famosas, estão "Mulher-cão", "O aborto" e obras inspiradas no romance "O crime do Padre Amaro", de Eça de Queiroz. Suas obras estão em acervos de instituições como Sua a Fundação Gulbenkian (Lisboa), o Metropolitan Museum of Art (MET, de Nova York), e a Tate e o Victoria & Albert Museum (Londres). No ano passado, Paula ganhou sua maior retrospectiva na Tate Britain, realizando um de seus grandes sonhos como artista, com mais de cem obras, de todas as suas fases.

Em 1989, ganhou o Prêmio Turner, o mais prestigiado das artes plásticas no Reino Unido. Além da Ordem do Império Britânico, com a qual foi agraciada em 2010, era doutora honoris causa em universidades como Oxford, Cambridge, Winchester School of Art (Hampshire), Rhode Island School of Design (EUA), e a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.

Paula participou da Bienal de São Paulo em três edições: na 10ª (1969) e 13º (1975) representando Portugal, e na 18ª edição (1985) representando a Inglaterra. Em 2011, ganhou uma retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo, com 110 obras. Em 2017, participou de uma mostra em diálogo com a brasileira Adriana Varejão, na galeria Carpintaria, no Rio.

— Nunca perdi o sentido de ser portuguesa, apesar de me considerar londrina. A minha juventude em Portugal mantém-se na minha cabeça com muita força. Os muitos locais da minha quinta da Ericeira aparecem nos meus quadros. É o Portugal dos anos 1950 — disse Paula ao GLOBO, na época da mostra na Carpintaria.

Trabalhos da pintora em pintura, gravuras e esculturas estão atualmente expostos na 59ª Bienal de Veneza. A curadora-geral da mostra, Cecilia Alemani, escolheu Paula como uma das âncoras da exposição principal.

Paula Rego é alguém que, ao longo de cinco décadas, tem dedicado o seu trabalho a temas e ideias muito fortes, a aspetos das nossas sociedades que foram obscurecidos e ignorados, cancelados, censurados, desde questões políticas, de gênero, liberdade de expressão, direitos das mulheres — destacou Cecilia Alemani à agência portuguesa Lusa, à época da abertura da Bienal.

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