Morre Paulo Cunha, presidente emérito do Grupo Ultra, e liderança na indústria

Morreu neste domingo o empresário Paulo Guilherme Aguiar Cunha, aos 82 anos, uma das principais personalidades da indústria e que teve atuação relevante no avanço do setor no país. Formado em engenharia pela PUC-Rio, entrou por concurso na Petrobras em 1960. Nesta empresa, Cunha, entre diversas atividades, coordenou o curso de formação de engenheiros e o projeto da fábrica de amônia e ureia em Camaçari, na Bahia.

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Em 1967, começa a trabalhar no Grupo Ultra, trazido pelo então presidente Pery Igel, para assumir a implantação da Oxiteno, indústria química que presidiu até 1992.

Ele chegou à presidência do Grupo Ultra em 1981 e permaneceu no cargo até 2006. Durante esse período, foi o responsável pela reestruturação do grupo e, mais tarde, pela abertura do seu capital em 1999, simultaneamente na Bolsa de São Paulo e na de Nova York. Cunha ficou como presidente do Conselho de Administração do grupo até 2018, quando passou a ser seu presidente emérito. Pedro Wongtschowski, que assumiu o conselho, escreveu sobre a perda do amigo no Brazil Journal:

“Tive a honra de suceder Paulo em três cargos: como CEO da Oxiteno, presidente executivo do Ultra e presidente do conselho de administração. Ao entregar este texto na manhã deste domingo, ainda sob o impacto de sua perda, ouvi dos mais próximos que eu deveria dizer algo a respeito de nossa relação pessoal —que foi longa, produtiva e se confunde com minha carreira. Mas isto é justamente o que Paulo não gostaria. Em vez de falar de nós mesmos, ele preferia falar do Brasil. Paulo Cunha deixa um legado de ética, visão de longo prazo, austeridade na vida pessoal e profissional, valorização das pessoas e da atividade industrial, do empreendedorismo, da educação e da inovação tecnológica. Uma grande perda para a empresa e o País.

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O colunista Ancelmo Gois, que informou sobre a morte do industrial na manhã deste domingo, conta que foi ideia dele criar uma unidade de refino, em parceria com a Petrobras, em Itaboraí. “O projeto inicial do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro era pequeno, mas a estatal resolveu aumentar várias vezes seu tamanho levando Paulo Cunha a jogar a toalha. À época, Lula, então presidente da República, tentou convencer Cunha a permanecer no negócio. O empresário usou um argumento definitivo para descartar a sociedade com a gigante estatal: 'Presidente, não dá para você dormir na mesma cama com um elefante. Em algum momento ele lhe esmaga"', ” conta o colunista.

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Em nota em seu site, o Grupo Ultra ressalta a liderança do setor: “Durante toda sua trajetória, Paulo teve uma intensa atividade institucional, presidindo entidades como o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). Integrante do Conselho Monetário Nacional, Paulo Cunha foi grande apoiador da indústria brasileira e um dos idealizadores do modelo tripartite que contribuiu para a rápida industrialização do país, formando alianças entre o setor privado, empresas públicas e sócios estrangeiros, sempre sob comando nacional.”

Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), que foi presidida por Cunha de 1979 a 1983, lamentou a morte do empresário: "A liderança de Paulo Cunha frente à Abiquim foi fundamental na ação política da associação, no momento em que o país enfrentava grandes desafios da época, como a segunda crise do petróleo e o choque de juros dos Estados Unidos. A Abiquim manifesta aos familiares e amigos o seu mais profundo pesar pelo falecimento de Paulo Cunha, ao mesmo tempo em que expressa eterna gratidão por sua extraordinária contribuição para a indústria química brasileira."

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