Morre o político Levy Fidelix, 69, conhecido como o homem do Aerotrem

Redação Notícias
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Brazilian presidential candidate for the Brazilian Labour Renewal Party (PRTV) Levy Fidelix attends their last TV debate in Rio de Janeiro, Brazil, on October 2, 2014. The general election will be held on October 5, 2014.  AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA        (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Images)
Fundador do PRTB, Levy Fidelix estava internado em um hospital particular de São Paulo e a causa da morte ainda não foi informada oficialmente. (Foto: YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Images)

Conhecido como o homem do Aerotrem, Levy Fidelix morreu na noite desta sexta-feira (23), aos 69 anos, em São Paulo. 

A informação foi confirmada no início da madrugada deste sábado (24) pela direção do PRTB, partido fundado e presidido por Fidelix. 

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"Nosso eterno líder deixa como legado o dinamismo, o bom combate, a criatividade, a honradez, a lisura em suas ações e a fé inabalável, que nortearam sua vida pública e privada", diz o comunicado do PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro). 

Fidelix estava internado em um hospital particular de São Paulo e a causa da morte ainda não foi informada oficialmente. Ele deixa a mulher e uma filha.

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  • "Que Deus conforte toda a família desse grande líder nacional", disse o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos).

  • "Meus sentimentos à família do presidente do PRTB", afirmou o deputado federal José Medeiros (Podemos-MT).

CARREIRA DE LEVY FIDELIX NA POLÍTICA

Político, empresário, jornalista e publicitário, José Levy Fidelix da Cruz ficou conhecido por ser o autor do projeto do trem-bala que ligaria Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. 

Era famoso também por disputar várias eleições, todas sem sucesso. Ele foi candidato a vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, governador e presidente da República. 

Tentou quatro vezes ser prefeito de São Paulo, a última em 2020, quando chegou em décimo primeiro lugar, com 11.960 votos no primeiro turno. 

Para a Presidência da República concorreu duas vezes, em 2010 e 2014. Em 2018, desistiu do projeto presidencial quando o general Hamilton Mourão, que é filiado ao PRTB, foi escolhido para ser o vice do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

Fundação do PRTB e alianças políticas

Fidelix fundou o PRTB em 1994 e, apesar de se apresentar como pioneiro do conservadorismo no Brasil e das tentativas recentes de aproximação com as ideias do bolsonarismo, tinha no currículo político as adesões à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no segundo turno de 2010, e o apoio a Marta Suplicy, em São Paulo, quando a ex-prefeita ainda era petista. Em 2014, apoiou Aécio Neves (PSDB) no segundo turno presidencial. 

Ataques homofóbicos e frases polêmicas

Em debate realizado naquelas eleições, Fidelix associou a homossexualidade com pedofilia e afirmou que gays precisam de atendimento psicológico "bem longe daqui". 

As declarações provocaram manifestações de repúdio e um beijaço gay na avenida Paulista. Fidelix também ficou nacionalmente conhecido por declarações homofóbicas durante debate na TV Record, quando era candidato à Presidência da República, em 2014. 

O político disse na TV que "aparelho excretor não reproduz" e associou homossexualidade a pedofilia. Ele afirmou ainda que gays precisam de atendimento psicológico "bem longe daqui". Teve que responder a um processo na Justiça, por conta das declarações. 

As declarações provocaram manifestações de repúdio e um beijaço gay na avenida Paulista. Foi neste ano que ele obteve o seu melhor resultado eleitoral, com quase 450 mil votos para presidente, quando se apresentou como um candidato conservador. 

No segundo turno daquele ano apoiou o candidato Aécio Neves (PSDB). Entretanto, na disputa anterior, quando também foi candidato, Levy apoiou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no segundo turno. 

Eleições 2018 e desapontamento com Jair Bolsonaro

Em 2018, dessa vez como apoiador do presidente Jair Bolsonaro nas eleições, teve mais de 30 mil votos, mas não conseguiu o cargo de deputado federal, por São Paulo. 

Na última eleição, Levy Fidelix ficou desapontado com o presidente Jair Bolsonaro. Esperava ser apoiado na disputa para a prefeitura da capital paulista. Entretanto, Bolsonaro apoiou o deputado Celso Russomanno, do Republicanos. 

Nenhum dos dois chegou ao segundo turno do pleito. 

Em sabatina realizada pelo jornal Folha de S.Paulo em outubro de 2020, durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, Fidelix defendeu que a vacina contra o coronavírus não deveria ser obrigatória. 

"Vamos facultar que as pessoas, para o seu bem, sejam naturalmente vacinadas. E aquelas que acharem que a sua consciência, que a sua condição, não permita, também não o farão. Nada você pode conspurcar, ou seja, levar por obrigação alguém a fazer alguma coisa", afirmou. 

"O PRTB já existia antes do bolsonarismo. Defendo Deus, pátria e família, estamos no mesmo campo político", disse em entrevista à Folha de S.Paulo, no ano passado. 

Em relação à pandemia da Covid-19, ele propôs um "distanciamento funcional", em que os setores econômicos seriam divididos por turnos e os negócios seguiriam abertos. 

da Folhapress