Morre Rush Limbaugh, ícone do rádio para os conservadores nos Estados Unidos

Joshua MELVIN
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Foto de arquivo mostra o falecido locutor Rush Limbaugh com o ex-presidente Donald Trump em um comício em 2018

Rush Limbaugh, o polêmico apresentador de rádio que se tornou um símbolo conservador nos Estados Unidos, morreu aos 70 anos de câncer, informou sua família nesta quarta-feira (17).

A morte do influente apresentador - que anunciou no ano passado que sofria de câncer de pulmão - gerou uma onda de homenagens de políticos conservadores, a começar pelo ex-presidente republicano Donald Trump.

"Ele era um cara falante e brilhante", disse Trump em uma ligação para a Fox News. “Ele foi absolutamente brilhante. Foi único. Foi um grande homem”, acrescentou o ex-presidente, sem esquecer que Limbaugh o apoiou desde o início.

Para os políticos republicanos, o programa de Limbaugh era um termômetro para entender a receptividade do público em relação a uma variedade de questões, desde a política de saúde pública até a "cultura do cancelamento".

Limbaugh é considerado uma importante influência no movimento conservador desde a presidência de Ronald Reagan na década de 1980, apesar de ter sido acusado de promover teorias da conspiração e desinformação durante toda a carreira.

Em seu programa, Limbaugh ajudou a espalhar teorias que duvidavam que o ex-presidente democrata Barack Obama tivesse nascido nos Estados Unidos e questionou fatos sobre o massacre da mesquita na Nova Zelândia em 2019, alegando que o tiroteio foi organizado por esquerdistas para culpar os conservadores.

Tinha também o hábito de atacar as feministas, que chamava de "feminazis".

Seu gosto pela polêmica gerou duras críticas ao longo de sua carreira, devido ao ultraje que alguns de seus comentários geraram.

"Ele tornou a política mais tóxica e contribuiu para um nível perigoso de polarização que domina o discurso político hoje", lembrou o centro de observação da imprensa Media Matters for America.

- "Uma voz para milhões de americanos" -

No ano passado, Trump concedeu-lhe a Medalha da Liberdade, a maior honraria civil concedida pelos Estados Unidos, gerando indignação entre os progressistas.

Limbaugh nasceu em 1951 no Missouri e sua carreira no ar começou em 1971, mas, antes do enorme sucesso, conheceu vários fracassos em diferentes estações de rádio.

Em 1984, ele foi contratado por uma estação de rádio em Sacramento, na Califórnia, em busca de um anfitrião peculiar. Em menos de um ano, Limbaugh se tornou a personalidade mais ouvida da cidade.

Seu principal programa, "The Rush Limbaugh Show", estreou em 1988 e rapidamente se tornou um dos programas de rádio mais populares dos Estados Unidos, chegando a ter uma média de 15 milhões de espectadores em 2020.

Entre os conservadores, as homenagens e mensagens de condolências não param.

"Embora ele fosse ousado, muitas vezes polêmico e sempre tivesse uma opinião, ele falava o que pensava e era a voz de milhões de americanos", elogiou o ex-presidente republicano George W. Bush em uma mensagem.

As reações do governo do presidente democrata Joe Biden têm sido mais moderadas.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, emitiu um comunicado com condolências à família e amigos. "Não sei se devemos esperar uma declaração do presidente", acrescentou.

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