Morre soldado do Exército baleado por PM após confusão em boate

Morreu na manhã desta quarta-feira (22) o soldado do Exército Willamis Cardoso da Silva, de 22 anos. O militar estava internado em estado gravíssimo no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, Zona Norte do Rio, desde a última sexta-feira (17). Ele foi baleado na cabeça pelo cabo da Polícia Militar David Trancoso Daniel, de 33, durante uma confusão em uma boate na Rua Manoel Vitorino, em Piedade, também na Zona Norte. Inicialmente, o militar foi levado para o Hospital Pasteur, mas depois de passar por cirurgia foi transferido para o HCE. Na manhã desta quinta, familiares do jovem chegaram ao Instituto Médico-Legal (IML) para a liberação do corpo.

Segundo a Polícia Civil, a briga teria começado após os militares do Exército terem abordado uma mulher. Houve um desentendimento, e os envolvidos foram expulsos da festa no Espaço de Evento Fábrica 40 Graus. O PM então foi até a sala de acautelamento, pegou uma pistola Glock .40 e efetuou disparo para dispersar a confusão. Ainda segundo os agentes, os militares teriam ido para cima de David, que atirou outras duas vezes. Um dos tiros atingiu a cabeça de Willamins.

Após a confusão, o PM se apresentou na 24ª DP (Piedade) e em seguida foi levado para a 21ª DP (Bonsucesso), onde é a Central de Flagrantes. Ele depôs e foi preso em flagrante por tentativa de homicídio.

No sábado (18), o Tribunal de Justiça do Rio converteu a prisão do policial militar em preventiva. O juiz Rafael de Almeida Rezende, na audiência de custódia, entendeu que a manutenção da prisão era necessária para a garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e aplicação da lei penal. O magistrado ainda afirmou que as imagens das câmeras de segurança do local corroboram o que as testemunhas disseram na delegacia.

"É possível verificar pela gravação das câmeras de segurança o momento em que o custodiado se se dirige até o local de cautela da boate, com um cigarro e um copo que aparenta ser de bebida alcoólica, pega a sua arma, sai do estabelecimento e vai em direção ao grupo, efetuando disparos de arma de fogo mesmo quando a confusão já estava sendo apartada por populares e seguranças", diz trecho da decisão.

Em outro trecho da decisão, Almeida afirma que a prisão do PM também é necessária para garantir que as testemunhas não sejam influenciadas "negativamente" ao prestarem os esclarecimentos necessários ou que sejam intimidadas ou constrangidas durante a investigação. O juiz ainda afirma que nos autos do processo não foi incluído o endereço do policial militar ou a comprovação que ele exerce uma ocupação lícita.

Durante a audiência de custódia, a defesa do PM pediu a liberdade do policial e alegou que ele agiu em legítima defesa ao intervir na briga. Os advogados vão recorrer da decisão.

David, lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacaré, foi levado para a Unidade Prisional da PM, no Fonseca, em Niterói. A Corregedoria Geral da Polícia Militar, através da 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), está acompanhando o caso.

O Comando Militar do Leste (CML) lamentou a morte do militar e se solidarizou com os familiares e amigos. "Neste momento de consternação, os integrantes do CML solidarizam-se com os familiares e amigos". O horário e local do enterro ainda não foi divulgado pela família do soldado.

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