Morre Vanna Piraccini, aos 95 anos, fundadora da livraria Leonardo da Vinci

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RIO - Morreu no domingo, 9, aos 95 anos, a livreira italiana Vanna Piraccini, de causas naturais. Vivendo no Rio há sete décadas, ela fundou junto com o marido, Andrei Duchiade, a Leonardo Da Vinci, uma das mais importantes livrarias da cidade. Com sua vasta oferta de livros importados e nacionais, a livraria abasteceu a vida literária da cidade e permitiu, muito antes da internet, que os cariocas tivessem contato com as novidades e tendências artísticas e culturais do resto do mundo.

Piraccini deixa dois filhos, Milena e Florin, dois netos, Joana e André, e um bisneto, Joaquim.

Filha de pai italiano, a livreira nasceu em 1926, em Bolonha (Itália) e passou seus primeiros anos na Romênia, país de sua mãe. Após conhecer Duchiade em Roma, ela estudou artes na Sorbonne, em Paris, trabalhou como babá em Londres, e, em 1952, mudou-se para o Rio.

Devidamente instalados na cidade, Piraccini e Duchiade abriram a Leonardo Da Vinci, batizada em homenagem ao aniversário de cinco séculos de nascimento do pintor italiano. O primeiro endereço foi em um edifício na rua Presidente Vargas. A partir de 1956, a loja passou a funcionar no subsolo do Edifício Marquês do Herval, perto da Cinelândia, que acabara de ser inaugurado.

Oferecendo títulos recém-lançados na Europa que só existiam em suas prateleiras, a Da Vinci formou mais de uma geração de intelectuais. Outra razão que tornou a livraria tão querida era a generosidade com que Piraccini acolhia jovens e estudantes, muitas vezes sem dinheiro para adquirir os livros da loja.

Desde a sua fundação, a Da Vinci passou por várias dificuldades. Um dos momentos mais duros foi a morte de Duchiade, em 1965. Em meio a problemas financeiros, Piraccini teve que assumir a livraria sozinha. Outra tragédia data de 1973, quando um incêndio destruiu toda a loja, incluindo os registros de dívidas dos clientes. Piraccini sempre acreditou que o incêncio tenha sido criminoso.

Durante a ditadura, os militares desconfiavam do tipo de leitura que os jovens encontravam na Da Vinci. A livreira contou que chegou a receber um pedido de desculpas de Golbery do Couto e Silva, o chefe da casa civil entre 1974 e 1981.

A partir de 1996, a Da Vinci passou a ser gerenciada pela filha de Vanna, Milena Duchiade. Em 2015, foi comprada pelo livreiro Daniel Louzada, seu atual proprietário.

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