Morreu o Papa Emérito, Bento XVI

Morreu o Papa Emérito, Bento XVI.

O estado de saúde do antecessor de Francisco tinha-se agravado esta semana.

Em comunicado, o diretor do serviço de imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, anunciou: "Tenho a dor de anunciar que o Papa Emérito, Bento XVI morreu hoje às 9h34 da manhã no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano".

O Papa Francisco tinha pedido aos católicos que rezasssem por ele. Esta sexta-feira tinha sido realizada uma missa na Basíica de São João de Latrão, em Roma, pela sua saúde, na qual participaram centenas de pessoas.

Joseph Ratzinger, que fica na história com o nome de Bento XVI, tinha 95 anos.

O Vaticano revelou que a partir de segunda-feira, dia 2 de janeiro, haverá câmara ardente na Basílica de São Pedro.

"O corpo do Papa Emérito estará na Basílica de São Pedro no Vaticano para a despedida dos fiéis", lê a declaração do gabinete de imprensa da Santa Sé.

Os passos a dar após a morte de um papa são descritos na Constituição 'Universi Dominici Gregis', aprovada por João Paulo II em 1996, e à excepção da abertura de um conclave e da destruição do anel papal, bem como outros pormenores menores, parece que pouco mudará.

Bento XVI será enterrado na cripta da Basílica de São Pedro.

Não se sabe se o funeral será público ou privado, embora se espere que o Papa Francisco permita que os fiéis o venerem na Basílica de São Pedro.

Será a primeira vez na história da Igreja Católica que um pontífice presidirá ao funeral do seu predecessor imediato, pois Francisco celebrará a missa, para a qual as mais altas autoridades de todos os países serão provavelmente convidadas.

O pontificado de Bento XVI durou oito anos e ficou marcado pelas revelações sobre os abusos sexuais na Igreja Católica, um pouco por todo o mundo.

O Papa alemão apanhou o mundo de surpresa ao renunciar em 2013.

Um dos momentos marcantes do pontificado do papa emérito foi a visita a Portugal em 2010, quando na viagem para Lisboa admitiu "os pecados internos da Igreja" no caso dos abusos sexuais.

Numa ocasião em que os escândalos de pedofilia no seio da Igreja Católica faziam manchetes em diversos países, como a Bélgica, a Irlanda ou os Estados Unidos da América, Bento XVI, ainda no avião papal que o transportou de Roma para Lisboa, disse a jornalistas que "a maior perseguição à Igreja" não vem de "inimigos de fora, mas nasce do pecado da Igreja".

Esta declaração fez aumentar o nível de expectativa sobre a visita de quatro dias que levou o Papa ao contacto com peregrinos em Lisboa, Fátima e Porto. Encontros com agentes da cultura, em Lisboa, e católicos empenhados na ação social, em Fátima, constituíram momentos altos da passagem de Joseph Ratzinger por Portugal em 2010.

As multidões que participaram nas eucaristias presididas por Bento XVI (em Lisboa, Fátima e Porto) levaram a inevitáveis comparações com o poder de atração do seu antecessor, João Paulo II - que entre os portugueses ficou conhecido como o Papa de Fátima, pelas três visitas que efetuou ao Santuário, em 1982, 1991 e 2000.

Apesar de em privado ser visto como "professor" ou "sábio", Bento XVI mostrou que também conseguia surpreender as multidões.

Isso mesmo já acontecera em outubro de 1996, quando, em Fátima, o então cardeal Joseph Ratzinger, investido nas funções de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé -- que sucedeu ao Santo Ofício -- e assumindo um verdadeiro papel de "guardião da fé", disse perante uma multidão de peregrinos que o segredo de Fátima "não tem uma importância essencial para a fé".

Na sua primeira visita ao Santuário da Cova da Iria, o cardeal Ratzinger, uma das poucas pessoas que já lera o texto do chamado terceiro segredo de Fátima, guardado no Vaticano desde 1957 e que viria a ser revelado por vontade de João Paulo II em 2000, disse: "O segredo, na realidade, não se ocupa com a grande história do mundo para informar sobre coisas com que um dia nos possamos deparar", sublinhando que o texto "não é um ensinamento de história futura, mas uma ajuda e uma educação da fé".

"A verdadeira vontade da Senhora é convidar à conversão, à fé simples e sem especulações sobre o futuro", disse Joseph Ratzinger.

Esta passagem de Ratzinger por Fátima ficou ainda assinalada pelo sublinhado que fez sobre o papel dos "pequeninos, os menores, os sem voz" na transmissão da mensagem de Maria.