Morta pelo namorado, técnica de enfermagem havia superado Covid cinco vezes

Técnica de enfermagem foi morta pelo namorado - Foto: Reprodução/TV Globo
Técnica de enfermagem foi morta pelo namorado - Foto: Reprodução/TV Globo
  • Técnica de enfermagem foi morta pelo namorado no último fim de semana, no Rio de Janeiro

  • Criminoso confessou a autoria, indicou o local do corpo, mas não foi preso pela polícia

  • Enterro da vítima foi marcado pela emoção nesta quarta-feira (17)

O assassinato da técnica de enfermagem Rita Nogueira pelo namorado no último fim de semana, no Rio de Janeiro, revoltou e emocionou a família da jovem de 27 anos.

O corpo de Rita foi enterrado nesta quarta-feira (17) no Cemitério de Nilópolis. Entre os presentes, uma das mais emocionadas era a madrasta da jovem, que ressaltou o fato de ela ter superado a Covid-19 em cinco oportunidades durante a pandemia.

“A gente falava para ela ter cuidado para ela não ficar com problema de saúde, porque era muito plantão, quase não tinha vida. Ela escapou da Covid cinco vezes para agora esse demônio, esse covarde, fazer isso com ela”, declarou Raquel da Silva Alves ao g1.

Prima da vítima, Jéssica Nogueira também lamentou o ocorrido e destacou o medo da família, especialmente pelo fato de o assassino confesso, Iago Lacê Falcão, não ter sido preso.

“Você não imagina perder alguém tão querida dessa forma, descobrir barbaridades, e no dia seguinte ouvir que o assassino que fez isso, que fez ela sofrer, estar na rua”, afirmou. “Daqui a um mês, ninguém vai lembrar mais da Rita, e ele provavelmente vai estar fazendo outra vítima.”

Entenda o caso

O estudante de enfermagem Iago assassinou a namorada Rita Nogueira. O criminoso, de 26 anos, confessou a autoria da morte, indicou o local do corpo, mas segue solto.

Iago se apresentou à polícia na última terça-feira (16). Ele levou os investigadores ao local do assassinato, um motel no bairro Sulacap, e aonde abandonou o corpo de Rita, uma casa em Bento Ribeiro.

Desaparecimento da vítima

A técnica enfermagem estava desaparecida desde o domingo, quando foi vista pela última vez saindo de casa ao lado de Iago, com quem se relacionava há pouco tempo.

Imagens de uma câmera de segurança mostram Rita indo ao carro do criminoso. Eles conversam por cerca de 30 segundos e ela volta ao interior da residência.

Iago sai ao encontro dela na sequência e, depois de pouco mais de uma hora, o casal entra no carro e deixa o local.

Sem notícias da jovem, a família denunciou o desaparecimento à polícia. O caso só foi resolvido na terça, com a confissão de Iago e a localização do corpo.

Sinais de tortura

A família de Rita contou ao portal g1 que o corpo da vítima tinha sinais de tortura e de que ela havia sido estrangulada. Ela estava com os braços e as pernas amarrados.

A casa onde estava o cadáver era de propriedade da família de Iago, mas estava abandonada há cerca de 10 anos.

“A casa estava abandonada havia mais de dez anos, ela estava lá dentro estrangulada. O enterro vai ter que ser de caixão fechado. A gente quer justiça!”, disse Aldenice Nogueira, tia da vítima.

Qual teria sido a motivação?

A família de Rita acredita que Iago pode ter agido por ciúmes. O casal estava junto há pouco tempo, mas, segundo parentes, a jovem teria indicado que pretendia retomar o relacionamento com o ex-noivo, Igor Ferreira, com quem ficou por 10 anos.

“A gente não sabe nada desse cara, eu nem sabia que ela estava se relacionando com outra pessoa. Não tinha muito tempo, não. Eu acho que tinha um mês. Nem minha irmã sabia muitos detalhes. O ex dela disse que eles estavam para reatar, eles ficaram dez anos juntos, a gente acha que ele pode ter visto alguma mensagem”, relatou Aldenice.

Rita conheceu Iago no local de trabalho, a Maternidade Leila Diniz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Além de estudante, o rapaz se apresentava como presidente e membro fundador da Liga Acadêmica de Atenção Integral à Saúde da Mulher.

O que diz a polícia?

A ocorrência registrada após a apresentação de Iago indica que o rapaz não foi preso em flagrante por que se entregou espontaneamente e fez uma confissão informal.

O assassino também não é considerado foragido. Ele está em liberdade enquanto os investigadores aguardam a perícia e outros laudos para determinar se pedem ou não a prisão do rapaz.

A única sanção sofrida por Iago até o momento foi o afastamento do Programa de Residência em Enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).