Mortalidade de pacientes com Covid-19 em UTIs diminuiu desde o início da pandemia, diz estudo

Raphaela Ramos
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RIO — A mortalidade de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) com Covid-19 caiu drasticamente desde o início da pandemia, mostrou um novo estudo. A proporção das pessoas mais afetadas pela doença que morrem por causa dela caiu de quase 60% em março de 2020 para 42% em maio e 36% no final de setembro.

A pesquisa, elaborada por especialistas em cuidados intensivos ou anestésicos do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, liderados pelo professor Tim Cook do Royal United Hospital, foi baseada na revisão de 52 estudos além de relatórios e registros nacionais e regionais em diversos países, envolvendo mais de 43 mil pacientes. O resultado foi publicado na revista médica "Anesthesia" nesta segunda-feira (1).

Os autores apontam que as melhorias no tratamento e manejo dos pacientes contribuíram para a redução da mortalidade.

"Nos últimos meses, diversos estudos têm esclarecido quais tratamentos trazem e quais não trazem benefícios no manejo da UTI da Covid-19. Foi apontado no início de junho que esteróides (particularmente a dexametasona) melhoram a sobrevida em pacientes que estão dependentes de oxigênio ou recebendo suporte respiratório mecânico, enquanto outros medicamentos, incluindo cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir e remdesivir demonstraram não ter claro benefício na mortalidade", diz o estudo.

Segundo os pesquisadores, também houve uma provável evolução na abordagem do uso de oxigênio, fluidos e manejo de anticoagulação.

Platô, novas variantes e vacinação

Os médicos apontam, no entanto, que o enorme progresso observado no último ano pode ter atingido um platô. "A clara queda na mortalidade observada ao longo do tempo entre janeiro e maio agora é menos evidente e, embora ao longo do tempo a mortalidade indubitavelmente tenha caído, é provável que a melhora tenha diminuído ou estabilizado", dizem os pesquisadores.

Na maioria das regiões geográficas observadas, a taxa de mortalidade é de 30 a 40% entre os pacientes em UTI. Um único relatório analisado do estado de Vitória, na Austrália, relata uma taxa de mortalidade muito baixa: 10,6%. Por outro lado, no Oriente Médio, a mortalidade é alta, de 61,9%. A pesquisa não analisou nenhum relatório da América do Sul.

Os autores destacam que a análise inclui estudos publicados apenas até outubro. Desde então, algumas variantes do coronavírus surgiram em países mudando o cenário da pandemia entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021.

"Isso aumentou a demanda por UTI nesses locais e merecerá uma análise mais aprofundada no momento oportuno. Para combater esse problema, a vacinação já está disponível em muitos países e podemos esperar que também, ao longo de vários meses, tenha um impacto positivo na trajetória da pandemia e na demanda por cuidados na UTI", completa o estudo.