Morte de adolescente: Operação policial em São Gonçalo buscava prender traficante Faustão

Rafael Nascimento de Souza e Gustavo Goulart

RIO - A operação conjunta entre as Polícias Civil e Federal nesta segunda-feira , no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, que resultou na morte do adolescente João Pedro Matos Pinto, teve como objetivo tentar prender o traficante Ricardo Severo, o Faustão, de 41 anos. Segundo as investigações, ele controla o tráfico de drogas na localidade. Fontes da Polícia Civil informaram que, durante a ação, o criminoso e cerca de dez seguranças correram para a rua de trás onde fica a casa de João Pedro, de 14 anos, na Praia da Luz, na Ilha de Itaoca. Baleado, o menino depois foi levado do local em um helicóptero da Polícia Civil.

Quando três agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core, a tropa de choque da Polícia Civil) chegaram à via, houve um intenso confronto. Para escapar, os bandidos pularam os muros de várias residências. Na fuga, alguns passaram por dentro do terreno da casa onde a criança morava com os pais, atirando e lançando granadas. Naquele momento, João e seus primos jogavam sinuca no local. Entre eles, João Pedro. Na tentativa de prender Faustão, os agentes revidaram. Mesmo com problemas de saúde, Faustão conseguiu fugir.

Segundo os investigadores, não se sabe de onde partiu o tiro que atingiu a criança. Durante uma perícia da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) os peritos encontraram diversos estojos, granadas e uma pistola. O material foi levado para a sede da especializada em Niterói.

Foragido desde 2015

Foragido do sistema penitenciário desde 2015, quando passou a cumprir Pena em regime semi-aberto no Instituto penal Edgar Costa, em Niterói, Faustão fora preso em 2010 durante a ocupação da Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão para a implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Na ocasião ele foi baleado.

Segundo o Portal dos Procurados, Faustão também é acusado de envolvimento na queda de um helicóptero da Polícia Militar no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, em 2009. Ele também é investigado como um dos participantes da ação que em 2016 foram responsáveis por ameaçar e ordenar que moradores, entre eles policiais, deixassem suas casas no Complexo do Miriambi, em São Gonçalo. e isso com o aval do traficante Schumacher, chefe do tráfico do Jardim Catarina.

Depoimentos de agentes

Até o início da tarde, três agentes da Core prestaram depoimentos e tiveram seus fuzis recolhidos. Segundo a DHNSGI, os policiais federais não tiveram suas armas apreendidas porque não estavam no perímetro de confronto onde o menino acabou sendo morto.

Além dos agentes, dois parentes da criança prestaram depoimento e confirmaram o que os policiais disseram em depoimento. As testemunhas disseram à Polícia Civil que os criminosos, no momento do confronto, pularam o muro da residência atirando e fugiram por outras cercanias. Em seguida, eles observaram que João Pedro estava baleado.