Morte de bebê por sarampo resulta de erro de governos e de quem não se vacinou

Ana Lúcia Azevedo

Foi o vírus do sarampo quem matou. Mas a morte de um bebê no estado do Rio de Janeiro vítima da doença é resultado de uma combinação letal de negligências e erros de governos e de cidadãos. Mais pessoas morrerão, se a população não se vacinar com urgência e o país não recuperar a cobertura vacinal. O vírus é um dos mais contagiosos e letais conhecidos. É um perigo muito maior e urgente do que o coronavírus que emergiu na China.

O programa de vacinação do Brasil é exemplar, um dos melhores, se não o melhor, do mundo. Mas foi negligenciado. Em 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) certificou o Brasil como livre da doença. Mas desde 2013 as coberturas vacinais, e não apenas a do sarampo, despencaram terrivelmente, sem que autoridades de saúde se mexessem.

A gravidade do problema só veio a público em 2018, quando o vírus voltou ao país, com venezuelanos doentes. E voltou a se espalhar. Não por culpa dos venezuelanos, mas devido à falta de cobertura vacinal. Se a população estivesse devidamente imunizada, ele teria batido na barreira e desaparecido.

As campanhas voltaram com mais força, e grande atraso, no ano passado e neste ano. Mas a população tampouco fez a sua parte e foi se vacinar. Um dos motivos é que, a despeito das campanhas, os horários e a localização de postos são um obstáculo real para muitas pessoas. O segundo é a inexplicável resistência de parte da população em se imunizar. Alguns, de fato, por mera negligência ou ignorância. Mas há também quem seja contra a vacina. Se vacinar não é questão de opinião. É dever do cidadão, pois a liberdade de escolha termina quando viola o direito do próximo, no caso, o direito de não adoecer. O preço de tudo isso, por ora, foi a vida de um bebê de 8 meses.