Morte de cicloativista em SP leva bicicletas no trânsito para campanha; favoritos têm planos genéricos

CAMILA MATTOSO
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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 08.11.2020 - Manifestação de ciclistas pela morte de Marina Harkot, ciclista que morreu atropelada por motorista que fugiu, na praça do Ciclista, na avenida Paulista, na tarde deste domingo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 08.11.2020 - Manifestação de ciclistas pela morte de Marina Harkot, ciclista que morreu atropelada por motorista que fugiu, na praça do Ciclista, na avenida Paulista, na tarde deste domingo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Na disputa pela Prefeitura de São Paulo, os trechos sobre projetos para ciclovias e ciclistas dos programas de governo dos candidatos que lideram a disputa mostram características e qualidades variadas, passando do vago para o conservador até chegar nos mais propositivos.

O tema voltou à discussão com a morte da cicloativista Marina Harkot, 28, atropelada no fim de semana em São Paulo por um motorista que fugiu sem prestar socorro.

O atual prefeito Bruno Covas (PSDB) trata brevemente do tema, e sugere uma expansão modesta da malha cicloviária, sem esclarecer exatamente de quanto seria. Celso Russomanno (Republicanos) e Márcio França (PSB) recorrem a fórmulas já conhecidas ao tratar do tema, sem detalhes.

Guilherme Boulos (PSOL) e Jilmar Tatto (PT) têm os programas mais minuciosos sobre a questão, com propostas originais e metas mais ambiciosas.

Líder nas pesquisas de intenção de votos, Covas diz que a malha cicloviária da cidade ultrapassará 650 km, com interconexão de trechos existentes, iluminação, semaforização, manutenção das vias e inauguração de novos bicicletários.

No entanto, o plano cicloviário da própria gestão de Covas prevê 676 km de ciclovias até o final de 2020, o que significa que não deverá haver expansão significativa na malha na administração do tucano.

Russomanno diz, sem qualquer detalhe, que pretende elaborar um plano cicloviário integrado ao plano de mobilidade do pedestre, "buscando a integração plena de todos os modos de transporte". Também fala em projetos de infraestrutura adequados para pedestres, ciclistas e cadeirantes, com construção e renovação de calçadas rebaixadas, sinalização e iluminação.

O deputado também fala em conciliar "o traçado da cidade com o acesso aos terminais modais, fluxos prioritários de usuários em face do trajeto de trabalho e de lazer", e na implantação de estruturas de estacionamento de bicicletas e patinetes, sem passar do plano mais raso do debate e investindo no mais óbvio de prometer obras e integração intermodal.

Márcio França também é inespecífico ao apresentar seu programa "Conexões Urbanas", que consistiria na realização de obras "de pequeno e médio porte" para conectar "infraestruturas de diferentes modais". Ele também propõe conectar ciclovias e expandir calçadas em espaços de grande fluxo e alta densidade.

O candidato também promete aumentar o número de ciclovias e bicicletários, mas não apresenta números.

Guilherme Boulos, empatado tecnicamente com Russomanno e França na segunda colocação da última pesquisa Datafolha, faz propostas para além da expansão da malha cicloviária e da integração com outros modais, que também aparecem em seu programa como no dos outros candidatos.

Ele é um dos poucos a mencionar especificamente, a propósito, a preocupação com a segurança dos ciclistas, e define-se como radical na "priorização do transporte público, coletivo e ativo (pedestres e ciclistas), em relação ao automóvel individual e particular".

Mais especificamente, fala em construir bicicletários cobertos no entorno das estações de trem, metrô e ônibus e em integrar os bicicletários com o sistema de Bilhete Único, aumentando o tempo das integrações. Ele também sugere a integração das ciclovias aos parques urbanos de São Paulo.

O petista Jilmar Tatto, secretário de Transportes nas gestões Marta Suplicy e Fernando Haddad, é o que mais se alonga no tema.

Um dos responsáveis pela criação de 400 km de malha cicloviária na gestão Haddad, Tatto sugere a retomada do PlanMob, plano municipal de mobilidade, com a expansão de novos 500 km de ciclovias a cada quatro anos. A prioridade, diz, seria para a conexão entre ciclovias, especialmente transposições dos rios, viadutos e pontes e novas ciclovias/ciclofaixas na periferia.

Ele afirma que o investimento deve contemplar a instalação de grades de proteção e sinalização adequada.

Tatto ainda fala em criar um sistema público de aluguel de bicicletas, sob o argumento de que a oferta do serviço pela iniciativa privada tem se concentrado em regiões nobres. Ele também promete estabelecer políticas de incentivo financeiro à aquisição e manutenção de bicicletas, regulamentar lei que prevê repasse de subsídios aos trabalhadores que adotam a bicicleta, e construir bicicletários públicos junto a estações de metrô e trem, terminais de ônibus, escolas públicas, parques e equipamentos de saúde.

A morte da cicloativista Marina Harkot provocou reações entre os candidatos, que cobraram mais segurança para ciclistas na cidade.

“Mais uma cicloativista morreu hoje atropelada. Quantas pessoas vão ter que nos deixar, para que façamos a coisa certa? Ciclovias adequadas e respeito aos ciclistas! #marinapresente”, escreveu em rede social o candidato a prefeito Márcio França (PSB).

Marina fez parte da elaboração do programa de governo de Boulos, que também prestou solidariedade à família. "Marina Harkot, ativista do ciclismo em SP que contribuiu com a construção do nosso programa, faleceu nesta madrugada, vítima de atropelamento quando andava de bicicleta. O motorista covarde fugiu. Minha solidariedade aos familiares e amigos e vamos levar a luta de Marina adiante!"

Tatto afirmou que "a cidade perde muito com sua morte". "É com muita tristeza que recebo a notícia do falecimento da Marina Hakort, ciclista muito importante na luta pela mobilidade ativa e igualdade de gênero em São Paulo. Ela foi mais uma vítima da violência no trânsito e perdeu a vida após ser atropelada na noite de ontem", escreveu.

"Marina foi muito importante na época da criação do Conselho Municipal de Transportes e muito contribuiu com sua tese sobre mobilidade ativa e gênero. Minha solidariedade à família e amigos. A cidade perde muito com sua morte", completou.