Morte de cirurgião na Barra: MP denuncia homem que atirou e pede a prisão de comparsa em latrocínio

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RIO — O Ministério Público do Rio denunciou Tiago Barbosa dos Santos pelo latrocínio (roubo seguido de morte) do cirurgião plástico Claudio Marsili, de 64 anos, no dia 19 de outubro, no Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele foi preso em flagrante, no dia do crime, com pertences da vítima, como a mochila, as canetas, o carimbo e a chave do carro, um Hilux SW4 que foi levado. Na denúncia, a promotora Patrícia Brito e Souza afirma que o rapaz foi o responsável pelo tiro na cabeça do médico, conforme demonstraram as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital, e pede a prisão preventiva de Marcus Vinícius da Silva Pereira, o Quinho, que também participou da ação, mas conseguiu fugir de casa, na comunidade do Turano, na Tijuca.

De acordo com o documento, ao qual O GLOBO teve acesso, a promotora enfatiza que os bandidos fazem parte de uma quadrilha que, reiteradamente pratica roubo de veículos de luxo na cidade e diz que a liberdade deles coloca em risco a segurança pública. “O aumento de roubos circunstanciados no Rio de Janeiro, como no Brasil inteiro, é significativo, colocando sob medo a população pacífica. Não se pode ignorar que é preciso garantir a instrução criminal, concedente as testemunhas garantias para que possam prestar seus depoimentos de forma segura. É nítido que a permanência de liberdade do acusado Marcus intimidará as testemunhas do crime”, escreve.

Patrícia Brito e Souza também salienta que, horas após o crime, a mulher de Marcus Vinícius autorizou a entrada de policiais militares do Comando de Polícia Pacificadora na casa da família, no Turano. Na residência, onde também estava Tiago, foi localizada uma mochila contendo 12 munições intactas, calibre .556, uma munição intacta calibre .40, e duas placas do carro de Claudio Marsili. A mulher assumiu que o material era de seu companheiro e que ele conseguira pular a janela.

Durante a diligência na favela, foi encontrado o Sandero usado pelos criminosos e, horas mais tarde, o carro da vítima, que estava estacionado em rua próxima. Exames de papiloscopia confirmaram impressões de digitais de Tiago no vidro traseiro do veículo. Imagens de câmeras de segurança também foram utilizadas no inquérito - equipamentos flagraram a ação dos bandidos na Avenida Fernando Mattos.

Em seu site, Claudio se apresentava como cirurgião plástico “com vasta experiência”. “Sempre em busca do rigor técnico e respeitando os critérios máximos de segurança exigidos. Visa a harmonia e delicadeza no contorno corporal e facial e aborda a beleza como conceito de saúde e autoestima elevada”, dizia. Entre os procedimentos que oferecia estão lipoaspiração, implante de próteses de silicone, abdominoplastica e harmonização facial.

Claudio Marsili tinha formação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde concluiu em 1982, e pós-graduação em cirurgia-geral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele fez também pós-graduação em cirurgia plástica estética e reparadora pela Estácio de Sá e em medicina ortomolecular e desportiva pela Universidade Veiga de Almeida (UVA). No currículo ainda consta doutorado em Saúde Pública pela Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (Uces), da Argentina. O médico deixou dois filhos, Mila e Ítalo Marsili, que chegou a ser cotado para ser ministro da Saúde.

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