Morte da Rainha Zulu: 'Pensam que somos assassinos', diz princesa sul-africana

·3 minuto de leitura
Rainha Mantfombi Dlamini Zulu em foto aproximada do rosto, com trajes típicos picos attends the festival of ' Zulu 200' celebrating the existence of the Zulu Nation at the King Shaka International airport in Durban on September 22, 2013.
A rainha Mantfombi Dlamini Zulu em foto de 2013; ela morreu um mês após assumir como regente da nação zulu

Em meio a uma disputa sobre quem assumirá o trono da família real zulu da África do Sul, a princesa Thembi negou neste domingo (02/05) rumores de que a rainha Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu, morta um mês após chegar à posição, tenha sido envenenada.

"As pessoas pensam que somos assassinos", disse Thembi à imprensa local, negando a acusação,

A rainha Mantfombi, 65, tornou-se líder interina do reinado no mês passado, após a morte de seu marido, o rei Goodwill Zwelithini.

Ela morreu de uma doença não especificada e não há evidências de crime.

Espera-se que o príncipe Misuzulu, de 47 anos — o filho mais velho da rainha Mantfombi e do rei Zwelithini —, seja o próximo na linha de sucessão, mas uma ação judicial iniciada após a morte da rainha busca impedir isso.

O rei da nação zulu, com 11 milhões de habitantes, deixou seis esposas e 28 filhos. Ele morreu no hospital por complicações relacionadas à diabetes em 12 de março de 2021.

As filhas do primeiro casamento de Goodwill Zwelithini questionam a veracidade de documentos atribuídos ao rei e que definiriam Misuzulu como o próximo a assumir o trono.

A mãe delas, a rainha Sibongile Dlamini, foi até a Suprema Corte de Pietermaritzburg, pedindo uma participação de 50% na propriedade do rei e o reconhecimento exclusivo como a única esposa legal dele.

A rainha Mantfombi havia sido nomeada regente porque era a única esposa com sangue real — ela era irmã do rei Mswati III de Eswatini.

Rei Zwelithini acena em uma cerimônia, sentado e vestido com roupas tradicionais
Rei Zwelithini em foto de arquivo; ele deixou seis esposas e 28 filhos

A família real não tem poder político formal e o papel do monarca na sociedade sul-africana é apenas cerimonial. Mas seus membros são muito influentes e desfrutam de um orçamento anual, financiado por impostos, superior a US$ 4,9 milhões (cerca de R$ 23 milhões).

Está acontecendo às vistas do público uma disputa entre a princesa Thembi e o príncipe Mbonisi, irmãos, e o primeiro-ministro da falecida rainha, Mangosuthu Buthelezi.

No domingo, Thembi e Mbonisi protagonizaram uma entrevista coletiva na qual disseram se sentir "feridos" pelas acusações de envenenamento. Thembi afirmou que "só Deus" sabe quem assumirá o trono, e Mbonisi acrescentou que eles respeitarão qualquer pessoa que chegar à posição.

Já Buthelezi acusa os irmãos de tentarem colocá-lo como "o autor dos rumores de que Sua Majestade foi envenenada", colocando também em questão a hereditariedade deles para que sejam considerados da família real.

'Uma feroz disputa por poder e influência'

Repórter da BBC em Johanesburgo (África do Sul), Pumza Fihlani explica que uma resolução para os conflitos cada vez maiores na família real e para a escolha de quem assumirá o trono parece distante.

"Contestações na monarquia Zulu não são novidade", escreveu Fihlani. "O que está em jogo tem um preço alto. O povo zulu é o maior grupo da África do Sul e um dos mais conhecidos na história, em parte por suas proezas no campo de batalha."

"O que estamos assistindo é, mais uma vez, uma feroz disputa por poder e influência. E também por quem pertence ou não à família real."

"Antes que o rei Goodwill Zwelithini pudesse assumir o papel há mais de 40 anos, ele precisou se esconder por três anos de ameaças de morte. Talvez ele tenha tentado evitar isso (conflitos) quando deixou um testamento com instruções para que uma de suas esposas atuasse como regente até que um sucessor fosse nomeado, mas ela morreu antes que essa tarefa fosse cumprida", afirmou a jornalista da BBC.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!